Estrategista argentino ligado a Eduardo Bolsonaro é preso na Bolívia após ataque a tiros contra ex-mulher

O estrategista digital argentino Fernando Cerimedo foi detido nesta terça-feira (18) na Bolívia, suspeito de envolvimento em um ataque a tiros contra sua ex-mulher, a advogada Nadia Beller, na cidade de Santa Cruz de la Sierra. A prisão ocorre em meio à sua atuação como assessor do presidente boliviano, segundo o jornal argentino Clarín, e reacende o debate sobre a influência de consultores estrangeiros na política sul-americana.

Cerimedo ganhou notoriedade internacional ao coordenar a estratégia digital da campanha de Javier Milei à Presidência da Argentina em 2023. No ano anterior, ele apoiou informalmente a campanha de reeleição de Jair Bolsonaro no Brasil, que terminou com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. Sua atuação foi marcada pela disseminação de alegações falsas sobre o sistema eleitoral brasileiro, o que o levou a ser indiciado pela Polícia Federal em 2024, no inquérito que apurou a tentativa de golpe de Estado. No entanto, a Procuradoria-Geral da República não o denunciou, e ele não respondeu ao processo.

Relação com Eduardo Bolsonaro e desinformação eleitoral

O influenciador é próximo do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, com quem participou, em julho deste ano, de uma transmissão ao vivo na internet. Na ocasião, Eduardo voltou a questionar a credibilidade do sistema eleitoral brasileiro, repetindo narrativas sem provas. Em 2022, Cerimedo já havia protagonizado uma live com alegações apócrifas sobre as urnas eletrônicas, incluindo a falsa afirmação de que urnas fabricadas antes de 2020 não teriam sido auditadas.

O crime na Bolívia e a prisão

Segundo a polícia local, Cerimedo é suspeito de participar de um ataque a tiros contra Nadia Beller, com quem teria tido um relacionamento. Imagens de câmeras de segurança, que circulam nas redes sociais, mostram dois homens vestidos como entregadores disparando contra a mulher na entrada de um edifício. A vítima foi hospitalizada e está internada, conforme o comandante da Polícia de Santa Cruz de la Sierra, David Gómez. Os dois suspeitos foram detidos, e a investigação segue em andamento.

O caso expõe a atuação de consultores políticos estrangeiros na América Latina, que muitas vezes transitam entre campanhas eleitorais e governos, levantando questões sobre ética e legalidade. A prisão de Cerimedo também ocorre em um momento de tensão política na Bolívia, onde ele atuava como assessor do presidente Rodrigo Paz, conforme noticiado pelo Clarín.

Enquanto isso, no Brasil, o episódio reacende o debate sobre a desinformação nas eleições de 2022 e a responsabilização de agentes externos que atuaram para desacreditar o processo eleitoral. A PF segue investigando a trama golpista, e a prisão de Cerimedo na Bolívia pode trazer novos elementos para as investigações em curso.

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