O ex-senador Romero Jucá (MDB) anunciou nesta terça-feira (18) que não disputará uma vaga de deputado federal por Roraima nas eleições de 2026. Em nota oficial, ele afirmou que refletiu sobre o cenário político e atribuiu a desistência a ataques que diz sofrer. A decisão ocorre poucos dias após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspender a condenação de Jucá por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, afastando sua inelegibilidade e tornando-o apto a concorrer.
Na nota, Jucá declarou: “Gosto de fazer política, a boa política. Contudo, a disputa baixa e vil não cabe mais na minha vida. Portanto, é com muita responsabilidade e com o apoio da minha família que decidi não participar da disputa eleitoral deste ano”. Ele também criticou o julgamento anterior, afirmando que sua imagem pública foi atacada e prejudicada, mesmo após a Justiça reverter a ação.
Trajetória política e impacto da decisão
Jucá é um dos nomes mais influentes da política roraimense, tendo ocupado o cargo de senador por 24 anos, em três mandatos consecutivos (1994, 2002 e 2010). Ele também foi ministro da Previdência Social no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2005 e ministro do Planejamento no governo de Michel Temer em 2016. Nas eleições de 2022, não conseguiu se eleger senador por Roraima.
O partido de Jucá, o MDB, ainda não informou se indicará outro nome para a vaga de deputado federal. A desistência ocorre em um momento de reestruturação política, com o cenário eleitoral de 2026 sendo marcado por disputas acirradas e mudanças nas alianças.
Panorama político e contexto regional
A decisão de Jucá reflete um cenário mais amplo de desgaste de lideranças tradicionais em Roraima, onde a política local tem sido palco de polarização e ataques pessoais. A suspensão da condenação pelo STF, embora tenha reabilitado Jucá juridicamente, não o blindou das críticas políticas. A ausência de um nome forte do MDB na disputa pode abrir espaço para outras lideranças regionais, como o pré-candidato ao governo de Alagoas, João Henrique Caldas (JHC), que não tem relação com este caso, mas ilustra a renovação em curso em vários estados.
Enquanto isso, o cenário nacional observa movimentações de ex-parlamentares e figuras históricas, como o ex-senador Romero Jucá e outros nomes que buscam retorno ou se afastam das urnas, em meio a um clima de instabilidade e judicialização da política.
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