Especialistas em relações internacionais, geopolítica e tecnologia de informação alertam para o risco de ações cibernéticas dos Estados Unidos (EUA) e de manipulação, por meio das bigtechs, com objetivo de influenciar as eleições gerais de outubro deste ano no Brasil. A avaliação é de analistas consultados pela Agência Brasil, que apontam um cenário de crescente tensão entre os dois países, com possíveis desdobramentos no campo digital.
A escalada de medidas do governo de Donald Trump contra o país, desde o tarifaço de 25% até o cancelamento de vistos de autoridades brasileiras, sugere que novas ações devem ser adotadas, em especial, no campo da cibernética. Esse é o pano de fundo que preocupa pesquisadores e analistas, que veem risco real de interferência externa no processo eleitoral brasileiro.
Memorando de Trump amplia riscos
O pesquisador do Núcleo de Estudos Estratégicos em Comunicação, Cognição e Computação, Reynaldo Aragon, destacou que um memorando assinado por Trump na última quarta-feira (12) tem caráter inédito e autoriza o uso de bigtechs em operações de “vigilância cibernética” e “efeitos cibernéticos”. Segundo ele, os efeitos são “assustadores”, envolvendo espionagem e ações de hackeamento de altíssimo nível, com potencial para acessar perfis de qualquer pessoa e produzir relatórios para favorecer ou prejudicar candidatos.
O editor do portal Código Aberto, que reúne artigos sobre política e tecnologia, também foi ouvido pela reportagem e reforçou o alerta. Sob o argumento de combater o crime transnacional cibernético, o memorando abre precedentes para que empresas de tecnologia atuem de forma coordenada com o governo americano, o que pode ter impactos diretos na soberania digital de outros países, incluindo o Brasil.
Panorama político e eleitoral
O cenário ocorre em meio a um clima de já elevada desconfiança entre Brasília e Washington, agravado por medidas econômicas e diplomáticas recentes. A possibilidade de ataques cibernéticos ou manipulação de informações nas redes sociais durante o período eleitoral acende um alerta entre autoridades brasileiras, que já debatem a segurança das urnas eletrônicas e a regulação das plataformas digitais.
Em reunião com embaixadores, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) defendeu a urna eletrônica, enquanto, no cenário internacional, casos como a decisão da Justiça da França de barrar o veto ao uso de redes sociais por adolescentes e o acordo entre Meta e TikTok na Espanha para checar informações sobre fronteira mostram que o tema da regulação digital está em pauta globalmente.
Especialistas ouvidos pela Agência Brasil ressaltam que a combinação de tensão diplomática, poder das bigtechs e a proximidade das eleições cria um ambiente propício para tentativas de interferência, o que exige atenção redobrada das autoridades brasileiras e da sociedade civil.
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