O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, candidato à Presidência da República pelo PSD, apresentou nesta terça-feira (18), em São Paulo, seu plano de governo para a área da Saúde. A proposta tem como principais eixos o reforço da medicina preventiva, a reorganização das filas do SUS com prioridade para pacientes mais graves, a digitalização do sistema de saúde e a recuperação dos índices de vacinação.
O plano foi elaborado sob coordenação do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que integrou o governo Jair Bolsonaro e foi demitido em 2020 por divergências com o então presidente sobre o enfrentamento à pandemia. Entre as ações previstas estão o fortalecimento da atenção básica, implantação de um prontuário eletrônico nacional, uso de inteligência artificial na gestão e no diagnóstico de doenças e políticas voltadas ao envelhecimento da população.
Diagnóstico precoce e combate às mortes evitáveis
Durante a apresentação, o ex-governador de Goiás afirmou que hoje o sistema de saúde atua de forma predominantemente “reativa” e defendeu uma mudança no foco do tratamento para a prevenção e o diagnóstico precoce. “Hoje estamos brigando com a doença, ou seja, estamos recebendo paciente com a doença em fase avançada”, disse. “Estamos trabalhando no sentido de avançar no diagnóstico precoce, em vez de correr atrás de tratar a doença disseminada, com pouco prognóstico e altíssimo custo para o governo e para a verba da saúde”, afirmou o candidato.
Um dos principais pilares do plano é baseado na regionalização da assistência para reduzir as chamadas mortes evitáveis. Segundo ele, em muitas regiões do país, pacientes morrem não pela gravidade inicial da doença, mas pela dificuldade de acesso a hospitais de média e alta complexidade.
SUS, envelhecimento e mudança do perfil das doenças
Caiado fez elogios ao Sistema Único de Saúde (SUS), que definiu como uma das maiores conquistas da Constituição de 1988. Segundo ele, o principal desafio agora é adaptar a rede pública às mudanças demográficas do país. O candidato ressaltou que o Brasil passa por um processo de envelhecimento populacional, o que exige políticas específicas para doenças crônicas e cuidados de longa duração.
O ex-governador afirmou que pretende levar para o plano nacional experiências implementadas durante sua gestão como governador em Goiás, destacando sua formação médica e relembrando a atuação durante a pandemia de covid-19, quando impôs medidas de isolamento social no início da crise sanitária. “Meu compromisso é com cuidar de vidas, salvar vidas. Essa é a minha formação e é o meu juramento”, declarou.
O evento ocorre em meio à disputa presidencial de 2026, que tem como cenário uma eleição polarizada. Pesquisa Quaest de 1º turno aponta Lula com 38%, Flávio Bolsonaro com 31%, Renan Santos com 4%, Caiado com 4%, Augusto Cury com 2% e Zema com 2%. A segurança pública e a saúde emergem como temas centrais na disputa, conforme análise do portal Republica do Povo.
O plano de Saúde de Caiado se soma a outras propostas em discussão no cenário nacional, como o plano de governo de Renan Santos, que propõe “desfavelização”, guerra ao crime organizado, fusão de municípios e fim do Bolsa Família, conforme noticiado pelo Republica do Povo.
Com a apresentação, Caiado busca consolidar sua base eleitoral e apresentar-se como alternativa técnica na área da Saúde, um dos principais gargalos do país. A proposta, no entanto, ainda precisa ser detalhada e debatida com a sociedade e especialistas.
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