O condenado por homicídio Gilbson Júnior afirmou, em depoimento à Polícia Federal, que frequentava o Palácio dos Leões, sede do Executivo estadual do Maranhão, para reuniões com o governador Carlos Brandão e seu sobrinho, Daniel Brandão. A declaração, prestada em 24 de junho de 2025, integra uma investigação que apura suspeitas de divisão de propinas no estado e que, após tramitar no Superior Tribunal de Justiça (STJ), subiu para o Supremo Tribunal Federal (STF) em outubro do mesmo ano, com relatoria do ministro Flávio Dino.
No depoimento, transcrito em uma decisão sigilosa de Dino, de novembro de 2025, à qual o g1 teve acesso, Gilbson Júnior detalhou sua rotina no palácio. “Eu tinha uma vaga [de garagem] no Palácio dos Leões. Eu chegava, entrava, a vaga número 6”, disse. Ele também afirmou que, geralmente, avisava Daniel Brandão sobre sua chegada e entrava pela área de vivência do governador, subindo uma escada até um salão. As visitas, segundo ele, eram registradas em ata.
Aproximação com o grupo político
Gilbson Júnior contou que era aliado de Carlos Brandão e que as reuniões começaram em 2021, quando o atual governador ainda era vice-governador. Brandão assumiu o cargo em abril de 2022, após a saída de Flávio Dino para concorrer ao Senado, e foi reeleito em outubro daquele ano. Nas reuniões iniciais, Carlos Brandão teria colocado Gilbson Júnior em contato com Daniel Brandão, que viria a ser nomeado conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA) em 2023.
Segundo o depoimento, os primeiros encontros tratavam da venda de terras no estado. Gilbson Júnior relatou que Daniel Brandão teria dito: “Pô, o tio disse que era pra mim resolver algumas coisas contigo aí de interesse total dele, e nosso também, porque eu tenho uma área lá nessas terras também”. O negócio não se concretizou, mas marcou o início da aproximação entre o condenado e o grupo político de Brandão.
Investigação e desdobramentos
Gilbson Júnior foi condenado por matar um homem em um centro comercial de São Luís em agosto de 2022. Segundo decisões do STF, há indícios de que o homicídio esteja relacionado à divisão de propinas no estado. O depoimento foi prestado a uma delegada da PF e a um procurador da República. Nesta segunda-feira (17), o ministro Flávio Dino afastou Daniel Brandão do cargo de conselheiro do TCE-MA por 180 dias, atendendo a um pedido da PF. O caso segue em investigação no STF, que fixou sua competência para acompanhar as apurações.
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