O pré-candidato à Presidência da República pelo Avante, Augusto Cury, defendeu em entrevista ao SBT News, na noite desta terça-feira (18), um pacote de reformas que inclui corte de pelo menos 15 mil cargos comissionados, avaliação de desempenho para funcionários públicos e redução no número de ministérios do governo federal. A proposta, apresentada como parte de seu plano de governo, também prevê a divisão do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) em duas instituições e a redução do número de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) de 11 para nove.
Em sua fala, Cury detalhou a necessidade de uma reforma administrativa ampla. “Nós vamos ter que fazer uma reforma administrativa. Nós vamos ter que ter desempenho dos funcionários públicos. Há cerca de 50 mil pessoas comissionadas, nós temos que cortar pelo menos uns 15 mil cargos comissionados. Vamos ter que diminuir os ministérios”, afirmou. O pré-candidato, no entanto, foi cauteloso ao falar sobre o equilíbrio fiscal, admitindo que não pode prometer déficit zero nas contas públicas, classificando tal promessa como “irresponsável”. Ele ponderou: “Vai ter uma bomba fiscal importantíssima o ano que vem, mas nós vamos lutar para ter um déficit próximo a zero”.
Propostas econômicas e reforma do Estado
Na área econômica, a principal proposta de Cury é a cisão do BNDES em dois bancos distintos: um voltado para grandes empresas e outro exclusivo para microempresas. Para financiar esse projeto, o pré-candidato afirmou que usaria parte dos dividendos da Petrobras para capitalizar um milhão de microempresas. A medida, segundo ele, visa ampliar o acesso ao crédito e fomentar o empreendedorismo de pequeno porte.
Posicionamentos sobre reeleição, STF e 8 de Janeiro
Durante a entrevista, Cury também se posicionou contra a reeleição para o cargo de presidente, atribuindo ao segundo mandato um dos fatores que contribuem para a corrupção no país. A declaração foi dada ao responder sobre a composição de uma eventual equipe de governo. Sobre a crise entre os poderes, o pré-candidato defendeu a redução do número de ministros do STF de 11 para nove, além de alterar a forma de indicação, que atualmente é de responsabilidade do Presidente da República, passando a escolha para entidades de classe. “Uma coisa muito importante: eu defendo nove membros para a Suprema Corte. Tem que reduzir, inclusive reduzir gastos também. E dois terços teriam que ser magistrados de carreira. Dois ou três, do Ministério Público, e um advogado. E quem deveria escolher? As próprias classes, por que não?”, questionou.
Em relação ao cenário político nacional, que ele classificou como dividido, polarizado e radicalizado, Cury afirmou que pretende pacificar o país. Ele também se comprometeu a reanalisar as punições impostas aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro de 2023. “Eu vou analisar, com um grupo de juristas, tudo que houve naquela época [8/1] e o perdão presidencial ocorrerá a partir de uma análise criteriosa. Pelo menos as penas que foram desproporcionais, que, na minha opinião, foram mesmo”, disse.
O cenário das eleições de 2026 começa a se desenhar com pré-candidatos apresentando propostas para áreas sensíveis como gestão pública, economia e justiça. A pauta de reformas, especialmente a administrativa, deve ser um dos eixos centrais do debate eleitoral, com diferentes visões sobre o tamanho do Estado e a eficiência dos serviços públicos. A discussão sobre o papel do BNDES e a composição do STF também tende a ganhar destaque na campanha, refletindo as tensões institucionais dos últimos anos.
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