Rio Grande do Norte abrigará supercomputador de IA de R$ 1 bilhão, anuncia governo federal

O governo federal confirmou, nesta semana, que o novo supercomputador brasileiro de inteligência artificial (IA), adquirido por pouco mais de R$ 1 bilhão, será instalado no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Macaíba, na região metropolitana de Natal. O anúncio foi feito pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que também informou que o edital público de concorrência para a compra do equipamento será publicado no Diário Oficial da União (DOU). Os recursos virão do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).

A infraestrutura, que será executada pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), terá capacidade de processamento de 7.200 petaflops, o equivalente a 7,2 quintilhões de operações matemáticas por segundo. Para dimensionar o salto tecnológico, o atual supercomputador mais potente do país, o Santos Dumont, instalado no Rio de Janeiro, opera com apenas 27 petaflops — ou seja, o novo equipamento será aproximadamente 266 vezes mais rápido.

De acordo com o MCTI, a capacidade computacional será disponibilizada para empresas, universidades, instituições científicas e governos, com o objetivo de fomentar o treinamento de modelos de IA, pesquisa e desenvolvimento de novas aplicações. A expectativa é que o supercomputador impulsione a inovação, a criação de novos produtos, serviços e negócios, ampliando a competitividade do Brasil no cenário tecnológico global.

Panorama: investimento em IA e infraestrutura científica

A escolha do Rio Grande do Norte para sediar o supercomputador reflete uma estratégia de descentralização dos polos de pesquisa no país. Enquanto o Sudeste concentra a maior parte dos centros de computação avançada, o Nordeste ganha protagonismo com essa iniciativa, que pode atrair talentos, startups e investimentos para a região. Além disso, o investimento de R$ 1 bilhão, oriundo do FNDCT, reforça o compromisso do governo federal com a soberania tecnológica e a redução da dependência de infraestrutura estrangeira em áreas críticas como a inteligência artificial.

Especialistas apontam que a disponibilização de capacidade computacional de alta performance para o setor produtivo e acadêmico pode gerar avanços em áreas como saúde, agricultura, clima e segurança pública. A medida também se alinha a iniciativas internacionais, como a aposta da China em IA para previsão meteorológica, e contrasta com debates recentes no Brasil sobre os limites éticos do uso da tecnologia, como a decisão do STJ de rejeitar provas geradas por IA em ações penais.

Com a publicação do edital no DOU, o processo de aquisição e instalação do supercomputador deverá avançar nos próximos meses. A previsão é que o equipamento entre em operação gradualmente, com impacto direto na formação de pesquisadores e no desenvolvimento de soluções inovadoras para desafios nacionais.

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