Uma moradora de Santana do Ipanema, no sertão alagoano, denunciou uma espera de dez horas por socorro em um hospital da região, após passar a noite com fortes dores e aguardar transporte para realizar uma tomografia. O caso, divulgado pelo portal Frances News nesta quarta-feira (26), expõe a crise na saúde pública do estado, marcada por falta de ambulâncias, equipamentos quebrados e superlotação nas unidades de atendimento.
Segundo o relato da paciente, ela procurou o hospital durante a madrugada com dores intensas, mas não havia ambulância disponível para levá-la a um centro de diagnóstico. O problema se agravou porque o equipamento de tomografia da própria unidade apresentou novo defeito, obrigando a transferência para outro município. A demora, segundo ela, foi de aproximadamente dez horas, período em que permaneceu sem atendimento adequado e sem previsão de remoção.
Colapso na saúde regional e impacto na população
O episódio não é isolado. Em Alagoas, a saúde pública enfrenta uma série de gargalos estruturais, como a superlotação de unidades de pronto atendimento, a falta de manutenção de equipamentos e a escassez de veículos de emergência. Em Maceió, a UPA do Jacintinho já foi palco de denúncias semelhantes, com um único médico para cerca de 300 pacientes e longas filas de espera. A situação se repete em hospitais do interior, onde a população depende de transporte precário e de uma rede de referência que muitas vezes não funciona.
Especialistas apontam que a falta de investimento em infraestrutura e a má gestão dos recursos públicos são as principais causas do colapso. A demora no atendimento não só agrava o sofrimento dos pacientes, mas também aumenta o risco de complicações e mortes evitáveis. No caso de Santana do Ipanema, a paciente relatou que, mesmo após a longa espera, não havia garantia de que a tomografia pudesse ser realizada, já que o equipamento do hospital de destino também apresentava problemas.
Panorama político e cobranças por soluções
A crise na saúde tem gerado reações no cenário político alagoano. A senadora Eudócia já pediu intervenção federal na saúde do estado, denunciando uma suposta ‘quadrilha’ na gestão estadual. A parlamentar apontou irregularidades na aplicação de verbas e na contratação de serviços, o que agravaria a situação das unidades de saúde. Enquanto isso, o pré-candidato ao governo de Alagoas, João Henrique Caldas (JHC), tem defendido a necessidade de uma reforma administrativa e de maior transparência na gestão dos recursos.
A população, no entanto, continua refém da falta de estrutura. Casos como o de Santana do Ipanema evidenciam que, sem ações concretas, a saúde pública alagoana tende a piorar. A demora no atendimento, a falta de ambulâncias e os equipamentos quebrados são sintomas de um sistema que precisa de urgente reestruturação, tanto no âmbito estadual quanto federal.
Enquanto as autoridades não apresentam soluções, pacientes como a moradora de Santana do Ipanema seguem expostos a um atendimento precário, que coloca em risco suas vidas e revela a profunda desigualdade no acesso à saúde no Brasil.
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