Em um julgamento realizado nessa quinta-feira (20), Edivaldo de Lima Santos foi condenado a 25 anos de prisão em regime fechado pelo assassinato de sua companheira, Milene Cristina Gracindo da Silva, na cidade de São Sebastião, em Alagoas. O crime, ocorrido em 5 de dezembro de 2024, no Açude São Bento, foi marcado por asfixia seguida de afogamento, e os jurados reconheceram as qualificadoras de feminicídio e meio cruel. O caso foi conduzido pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL), que atuou na acusação.
De acordo com os autos, o casal participava de um encontro com amigos no dia do crime. Durante o julgamento, Edivaldo confessou ter matado Milene, mas inicialmente sustentou outra versão: afirmava que ela estava muito embriagada, não sabia nadar e teria entrado no açude por vontade própria, apesar de ter sido aconselhada a não fazê-lo. Ele ainda dizia que tentou salvá-la, mas não conseguiu. No entanto, os depoimentos das testemunhas contrariaram essa narrativa.
Segundo os relatos apresentados no processo, o casal começou a discutir naquele dia, o que levou os amigos a decidirem deixar o local. Ao olharem para trás, eles teriam visto Edivaldo apertando o pescoço de Milene e, em seguida, empurrando-a no açude. As testemunhas retornaram para tentar ajudar, mas, quando chegaram, a vítima já estava desacordada e havia afundado.
Histórico de violência
O episódio não teria sido o primeiro registro de violência de Edivaldo contra a companheira. Testemunhas afirmaram durante o processo que ele já havia agredido e ameaçado Milene de morte anteriormente. Em uma dessas ocasiões, segundo os relatos, a ameaça teria ocorrido na presença da mãe da vítima, evidenciando um padrão de abuso que culminou no feminicídio.
O caso ganha relevância no contexto da violência doméstica em Alagoas, estado que tem registrado números alarmantes de feminicídios. A condenação de Edivaldo, com reconhecimento de qualificadoras, reforça a necessidade de políticas públicas efetivas de prevenção e proteção às mulheres, além de punição exemplar para agressores.
Em outras partes do país, casos semelhantes têm gerado comoção e debates sobre a eficácia das medidas protetivas. No Acre, por exemplo, um homem condenado por estupro e homicídio de adolescente foi morto a tiros e facadas após deixar o presídio, evidenciando falhas no sistema de justiça. Já na Flórida, a execução de dois condenados em um único dia, incluindo um homem de 80 anos, reacendeu discussões sobre a pena de morte nos EUA.
A condenação de Edivaldo de Lima Santos, portanto, não apenas faz justiça no caso de Milene, mas também serve como alerta para a sociedade sobre a gravidade da violência de gênero e a importância de denunciar agressões antes que elas se tornem fatais.
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