O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, afirmou nesta quarta-feira (26) que, se eleito, vai acabar com a aprovação automática no sistema de ensino. Em sabatina promovida pela CBN, Valor Econômico e O Globo, o candidato defendeu que a progressão dos estudantes deve ocorrer com base em “proficiência, resultado e nota”, rejeitando o avanço por critérios apenas de idade.
Durante a entrevista, Caiado citou sua gestão em Goiás como exemplo: “O que que o Estado, eu não autorizo passar de ano por questões cronológicas de idade. Passa adiante quem tem nota, tá bom”. A declaração ocorre em meio ao debate sobre a chamada “progressão automática”, modelo previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que permite ao aluno avançar de ciclo sem reprovação anual, mas que não é adotado em Goiás. “Esse critério não pode prevalecer. Pode prevalecer por proficiência, por resultado e por nota. Se não, nós estamos nesse falso positivo na educação brasileira”, completou.
Economia: ajuste fiscal sem detalhamento
Na área econômica, Caiado voltou a defender um ajuste nas contas públicas e foi questionado sobre quais despesas pretende cortar para cumprir a promessa de estabilizar a relação entre dívida e PIB já no primeiro ano de governo. O candidato citou como possibilidades a revisão de incentivos fiscais, cortes na estrutura da máquina pública, fechamento de estatais e mudanças na destinação de emendas impositivas. No entanto, ao ser pressionado a apontar quais incentivos seriam eliminados, evitou detalhar setores: “Eu vou levantar cada uma delas e as pessoas vão avaliar se esse programa aqui ele está tendo resultado”. Segundo ele, antecipar benefícios a serem cortados seria “irresponsável”.
“Sem examinar o paciente, eu não posso dizer”, afirmou, em tom de metáfora. O candidato também propôs um limite para o crescimento das despesas, corrigindo os gastos pela inflação e acrescentando apenas 50% do crescimento do PIB do ano anterior. A partir desse teto, o governo teria que decidir “como você vai acomodar” o orçamento e o que seria necessário “priorizar ou cortar”.
Previdência e direitos adquiridos
Caiado descartou uma nova reforma da Previdência no início de um eventual governo e rejeitou a possibilidade de atingir direitos já adquiridos. “O que que a aposentadoria, você mexer no regime hoje altera no equilíbrio fiscal? Nada, Lauro. Direito adquirido. Você não toca nele”, declarou. Mais adiante, acrescentou: “A reforma da Previdência, ela será tratada no momento adequado”.
O cenário das eleições de 2026 segue marcado por disputas em torno de propostas educacionais e fiscais, com candidatos buscando diferenciar suas plataformas. A sabatina desta quarta-feira integra uma série de entrevistas com presidenciáveis promovidas pelos veículos, que têm dado destaque a temas como gestão pública, responsabilidade fiscal e políticas sociais.
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