Em sua primeira manifestação pública desde que as investigações vieram à tona, a empresária Roberta Luchsinger, alvo de três inquéritos da Polícia Federal sob suspeita de tráfico de influência, afirmou que pediu apoio ao então chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, para uma proposta de fornecimento de canabidiol ao governo, mas negou ter feito qualquer pagamento em troca desse apoio. A declaração foi dada ao g1 nesta quinta-feira (27), em meio a apurações que também envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.
Segundo Roberta, o objetivo das conversas com Marcola era obter apoio para sua proposta, o que ela classificou como um “erro” e “ingenuidade”. “Ter apoio [era o objetivo das conversas com Marcola]. Talvez erro meu de pedir apoio. Ingenuidade. Bobeira”, disse. Ela também negou ter feito pagamentos a Marcola, afirmando que apenas ajudou um amigo: “Não fiz pagamentos ao Marcola. Eu ajudei um amigo. Óbvio, eu deveria ter sido atenta ao fato de ser ele chefe de gabinete do presidente. Mas é covardia ‘linkar’ uma coisa na outra. Marcola é meu amigo. Eu sou uma pessoa amiga dos meus amigos. Se eu sei que precisam e posso ajudar, eu ajudo”.
Investigações da PF e o caso do canabidiol
As investigações da Polícia Federal apuram se Roberta e Lulinha atuaram para favorecer empresas junto a órgãos federais. Em um dos inquéritos, a PF analisa conversas entre Roberta e Marcola sobre uma proposta de fornecimento de canabidiol ao Ministério da Saúde. A empresária enviou a Marcola, em maio de 2024, uma minuta de Termo de Referência que estabelecia parâmetros para a aquisição de frascos de canabidiol pelo ministério, com dispensa de licitação e direcionamento para a empresa World Cannabis, do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. Nenhum contrato foi assinado.
Roberta justifica que o documento visava resolver um problema regulatório no setor de canabidiol, que submete pacientes a produtos importados sem controle de qualidade da Anvisa. “A principal mudança descrita no documento é administrativa e operacional: sair de sucessivas aquisições vinculadas às demandas judiciais para uma aquisição centralizada”, explicou.
Pagamentos a Marcola e empréstimo pessoal
A PF também descobriu que Roberta pagou contas de Marcola, que afirmou que os valores eram um empréstimo pessoal de R$ 249 mil, já quitado. A empresária, no entanto, não detalhou os valores, mas reforçou que não houve pagamento por apoio. “Eu ajudei um amigo”, repetiu.
Panorama político e desdobramentos
O caso ganha contornos políticos em um momento de forte escrutínio sobre o governo Lula, com a oposição usando as investigações para questionar a lisura da administração federal. A defesa de Lulinha e de Roberta ainda não se manifestou sobre o conteúdo das conversas. O Fantástico exibirá no domingo (30) uma reportagem sobre a empresária, o que pode trazer novos detalhes à tona. Até o momento, as investigações não apontaram se algum contrato foi assinado com o poder público.
Fonte: ver noticia original

