O ex-banqueiro Daniel Vorcaro prestou depoimento à Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (28), em oitiva que durou cerca de quatro horas e foi realizada por videoconferência. A oitiva faz parte do inquérito que apura a conduta de dois ex-servidores do Banco Central, suspeitos de receberem propina por atuarem a favor do Banco Master durante o trabalho de supervisão da instituição.
Vorcaro, que está preso na Papudinha, presídio localizado no Distrito Federal, foi ouvido no âmbito da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF. A operação investiga fraudes financeiras no Master e a tentativa de compra da instituição pelo Banco Regional de Brasília (BRB), banco público ligado ao Governo do Distrito Federal (GDF). As investigações apuraram fraudes bilionárias que causaram um rombo de até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), destinado ao ressarcimento de investidores.
Defesa nega corrupção e fala em ‘insinuações’
Em nota, a defesa de Vorcaro afirmou que o depoimento representou a primeira oportunidade que o ex-banqueiro teve de se manifestar sobre as investigações do caso Master e de responder a “insinuações” levantadas contra ele. Segundo os advogados, o ex-banqueiro respondeu “de forma clara e consistente” a todos os questionamentos dos investigadores da PF. “Restou demonstrado, em especial, que não houve qualquer ato de corrupção envolvendo os servidores mencionados na investigação em curso”, afirmaram os advogados.
Panorama da Operação Compliance Zero
A Operação Compliance Zero, que está em sua terceira fase, já havia resultado em outras medidas judiciais. Em julho, o ministro Mendonça autorizou o rastreamento de bens de Vorcaro no exterior. No mês seguinte, o mesmo ministro passou a comandar a apuração sobre dinheiro de Vorcaro em Dark Horse. Ainda em julho, a Justiça do Rio determinou o bloqueio de contas do Banco Master. O caso ganhou repercussão nacional por envolver um banco de médio porte e supostas irregularidades na supervisão do Banco Central, levantando questionamentos sobre a efetividade dos mecanismos de controle do sistema financeiro e a necessidade de aprimoramento da regulação para evitar prejuízos a investidores e ao FGC.
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