Queda de 36,4% nas candidaturas de militares e policiais após condenações por golpismo, mas cenário ainda supera pré-Bolsonaro

Na primeira eleição após a condenação de integrantes das Forças Armadas e de forças de segurança por tentativa de golpe, o número de candidatos que declararam à Justiça Eleitoral serem oriundos dessas corporações diminuiu 36,4% em relação à disputa de 2022. Apesar da queda expressiva, o total de candidaturas de militares e policiais ainda supera os números registrados no período pré-Bolsonaro, indicando uma persistência do fenômeno político que emergiu nos últimos anos.

Os dados, divulgados pela Justiça Eleitoral, revelam que, enquanto em 2022 houve um pico histórico de candidaturas de militares e policiais, a eleição de 2026 já reflete os efeitos das condenações por envolvimento em atos golpistas. A redução de 36,4% é atribuída por analistas ao impacto das prisões e à crescente rejeição eleitoral a candidatos ligados às forças de segurança que apoiaram a tentativa de ruptura institucional.

Panorama das candidaturas e contexto político

Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a queda, embora significativa, não representa um retorno aos padrões anteriores a 2018. No pré-Bolsonaro, o número de candidatos militares e policiais era consideravelmente menor, e o crescimento observado desde então está associado à ascensão de uma agenda política que valorizava a presença desses profissionais na política institucional.

O cenário atual, contudo, é marcado por uma maior vigilância da sociedade e do sistema de Justiça Eleitoral sobre candidaturas que possam representar riscos à democracia. As condenações de integrantes das Forças Armadas e de forças de segurança por tentativa de golpe, ocorridas em setembro de 2025, foram um marco histórico, conforme destacou a Folha de S.Paulo, e parecem ter influenciado a decisão de muitos potenciais candidatos de não disputar as eleições deste ano.

Impacto das condenações e perspectivas futuras

Para cientistas políticos, a redução de 36,4% é um sinal de que a Justiça Eleitoral e a opinião pública estão mais atentas ao papel das forças de segurança na política. No entanto, o fato de o número ainda ser maior do que no pré-Bolsonaro sugere que o fenômeno não foi completamente revertido, e que parte desses candidatos pode buscar se distanciar das pautas golpistas para conquistar votos.

A eleição de 2026, portanto, será um teste importante para avaliar se a queda nas candidaturas representa uma tendência duradoura ou apenas uma reação pontual às condenações. O debate sobre o papel dos militares e policiais na política deve continuar central no cenário eleitoral, especialmente em um contexto de polarização e de questionamentos sobre a integridade do processo democrático.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *