As pesquisas estaduais da Quaest divulgadas ao longo desta semana revelam uma eleição que se movimenta pouco onde mais importa. Há oscilações nas intenções de voto, mudanças de intensidade entre os estados e efeitos produzidos por candidaturas locais. Mas, quando observamos o conjunto, o quadro é de estabilidade. A disputa presidencial de 2026 continua calcificada, polarizada entre Lula e o campo político de Jair Bolsonaro, agora representado por Flávio.
Calcificação não significa que nada muda. Significa que as mudanças acontecem dentro de limites estreitos, sem alterar a estrutura que organiza a escolha dos eleitores. Lula preserva a força no Nordeste. Flávio herda a vantagem bolsonarista no Sul e em parte do Centro-Oeste. São Paulo continua dividido, com inclinação à direita. E Minas Gerais permanece como o estado mais próximo do equilíbrio nacional.
Comparação com 2022 dimensiona estabilidade
A comparação com 2022 ajuda a dimensionar essa estabilidade. Para fazê-la corretamente, é preciso colocar os dois números na mesma base: a intenção de voto atual deve ser comparada com os votos obtidos em 2022 sobre o total de eleitores aptos, e não com os votos válidos. As pesquisas representam todos os eleitores, inclusive aqueles que poderão se abster ou votar em branco e nulo. Mudar o denominador muda o significado do resultado.
Feito esse ajuste, Lula aparece dentro da margem de erro do seu desempenho de 2022 em 16 das 25 unidades da Federação incluídas na consolidação. Está acima em cinco e abaixo em quatro. Ou seja, em quase dois terços dos estados pesquisados, não há evidência estatística de mudança em relação à eleição passada.
Mudanças regionais, não onda nacional
Mesmo as diferenças significativas reforçam a ideia de movimentos regionais, não de uma onda nacional. Lula melhora no Maranhão, em Pernambuco, Sergipe, Rio Grande do Norte e Rondônia. Piora em Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. As perdas estão concentradas especialmente no Sul e no estado que decidiu a eleição passada por uma diferença mínima. Os ganhos, por sua vez, aparecem sobretudo em áreas nas quais o petismo já era competitivo ou dominante.
O Nordeste continua sendo o principal pilar eleitoral de Lula. Na Bahia, ele registra 53% das intenções de voto no cenário consolidado, praticamente repetindo o patamar de 2022 quando se considera o total de eleitores aptos. Em Pernambuco, chega a 54%, três pontos acima do desempenho anterior. No Rio Grande do Norte, avança de 49% para 54%. Não se trata apenas de manter territórios, mas de consolidar uma base que resiste à erosão mesmo em cenários adversos.
Essa estabilidade contrasta com a expectativa de mudança que costuma cercar os anos eleitorais. O cenário atual sugere que a eleição de 2026 será decidida nos mesmos campos de batalha de 2022, com margens apertadas em estados-chave como Minas Gerais e São Paulo. A análise é do diretor da Quaest, Felipe Nunes, em entrevista ao Jornal da Globo, e foi publicada no portal G1 em 29 de agosto de 2026.
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