Um estudo elaborado pela Roit, empresa de tecnologia para gestão tributária, mostra que inconsistências cadastrais e erros de emissão de notas por pequenos e médios prestadores podem travar R$ 57,4 bilhões em créditos das grandes indústrias e redes varejistas no primeiro ano de vigência das novas regras tributárias. O levantamento, divulgado em agosto de 2026, acende um alerta para os desafios operacionais da implementação da reforma tributária no Brasil.
De acordo com o estudo, a falha na regularização cadastral e a emissão incorreta de documentos fiscais por parte de fornecedores de menor porte podem impedir que as empresas de maior porte aproveitem integralmente os créditos do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), um dos pilares da nova sistemática tributária. O impacto estimado de R$ 57,4 bilhões representa uma parcela significativa dos recursos que poderiam ser utilizados para abater tributos devidos, afetando diretamente o fluxo de caixa e a competitividade dos setores industrial e varejista.
Panorama da reforma tributária
A reforma tributária, em discussão há anos no Congresso Nacional, visa simplificar o sistema ao unificar impostos como PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS em um único tributo, o IVA dual, composto pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). A transição para o novo modelo, prevista para ocorrer de forma gradual, exige adaptação de todos os agentes econômicos, desde grandes corporações até microempreendedores.
O estudo da Roit destaca que, enquanto as grandes empresas têm estruturas robustas para se adequar às novas exigências, os pequenos e médios prestadores de serviços e fornecedores muitas vezes carecem de capacitação técnica e tecnológica para emitir notas fiscais eletrônicas dentro dos padrões exigidos. Essa assimetria pode gerar um gargalo no momento da compensação de créditos, travando bilhões em recursos que seriam essenciais para a saúde financeira das empresas.
Impactos econômicos e setoriais
O montante de R$ 57,4 bilhões representa cerca de 0,5% do PIB brasileiro, o que evidencia a magnitude do problema. Para as grandes indústrias, a impossibilidade de aproveitar créditos pode elevar a carga tributária efetiva, reduzir investimentos em expansão e inovação, e até mesmo impactar a geração de empregos. Já as redes varejistas, que operam com margens de lucro reduzidas, podem ser forçadas a repassar custos aos consumidores, pressionando a inflação.
Especialistas ouvidos pelo estudo recomendam que as empresas invistam em sistemas de gestão integrada e em programas de conformidade tributária, além de estabelecer canais de comunicação com seus fornecedores para garantir a correta emissão de documentos fiscais. A Roit sugere que a implementação da reforma seja acompanhada de políticas públicas de apoio aos pequenos negócios, como treinamentos e incentivos para digitalização.
Reações e próximos passos
O estudo foi divulgado em um momento em que o governo e o Congresso discutem os detalhes da regulamentação da reforma tributária. A Receita Federal e os órgãos estaduais e municipais responsáveis pela administração do IBS ainda não se manifestaram oficialmente sobre os dados apresentados. No entanto, a expectativa é que o tema seja debatido em audiências públicas e comitês técnicos nos próximos meses.
Para as empresas, a recomendação é antecipar-se às mudanças, revisando cadastros e processos internos. A Roit reforça que a tecnologia será uma aliada essencial nesse processo, mas que a colaboração entre todos os elos da cadeia produtiva é fundamental para evitar prejuízos bilionários.
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