A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) lança neste domingo (30) uma campanha contra a votação e a possível extinção da escala de trabalho 6×1. A entidade, que representa os setores de comércio, serviços e turismo, destaca a proximidade das eleições como fator de alarme para os associados e pede que a proposta não seja votada antes do pleito.
A campanha surge em um momento de intenso debate nacional sobre a jornada de trabalho, com projetos de lei e propostas de emenda à Constituição em tramitação no Congresso Nacional. A escala 6×1, que prevê seis dias de trabalho para um de descanso, é alvo de críticas de movimentos sociais e sindicatos, que defendem uma carga horária mais flexível e redução da jornada. Por outro lado, entidades patronais alertam para os impactos econômicos de uma mudança abrupta, especialmente em setores que dependem de funcionamento contínuo, como comércio e serviços.
Mobilização e contexto político
A CNC argumenta que a votação da proposta em período pré-eleitoral poderia politizar ainda mais o tema, gerando insegurança jurídica e prejudicando o planejamento das empresas. A entidade defende que a discussão seja aprofundada com a participação de todos os setores envolvidos, incluindo trabalhadores, empregadores e especialistas em direito do trabalho. A campanha inclui materiais informativos, ações em redes sociais e mobilização de federações estaduais e sindicatos patronais em todo o país.
O cenário político é marcado por articulações no Congresso para pautar a matéria ainda neste ano, o que acendeu o alerta na CNC. A entidade ressalta que a proposta, se aprovada, teria efeitos profundos na organização do trabalho e na economia como um todo, afetando diretamente a geração de empregos e a competitividade dos setores. A campanha também busca sensibilizar parlamentares e a opinião pública sobre a necessidade de um debate técnico e responsável, sem pressa e sem viés eleitoral.
Além disso, a CNC lembra que o Brasil vive um momento de recuperação econômica e que mudanças bruscas na legislação trabalhista poderiam comprometer os avanços recentes. A entidade defende que qualquer alteração na escala de trabalho deve ser precedida de estudos de impacto e de um amplo diálogo social, como forma de garantir segurança jurídica e proteção aos direitos dos trabalhadores.
A campanha da CNC ocorre em meio a um movimento mais amplo de discussão sobre o futuro do trabalho no país, com propostas que vão desde a redução da jornada para 4 dias até a adoção de modelos híbridos. Especialistas divergem sobre os efeitos de tais mudanças, mas há consenso de que o tema deve ser tratado com cautela e com base em evidências. A entidade espera que a campanha contribua para um debate mais equilibrado e que a votação seja adiada para depois das eleições, quando o clima político estiver menos acirrado.
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