O governo federal anunciou, nesta segunda-feira (31), a intenção de transformar a Operação Carbono Oculto em uma ação permanente de combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro. A declaração foi feita pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, durante o Macro Day, evento promovido pelo banco BTG Pactual. A estratégia prevê o uso de um sistema de inteligência artificial desenvolvido pela Receita Federal para monitorar continuamente fundos de investimento e setores vulneráveis, permitindo a realização de grandes ofensivas a cada dois meses.
Segundo Durigan, a tecnologia foi criada com base nos dados obtidos na Operação Carbono Oculto, deflagrada há um ano. A investigação, conduzida pela Receita Federal em parceria com a Polícia Federal, o Ministério Público, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a Secretaria da Fazenda de São Paulo, revelou como organizações criminosas usavam postos de combustíveis para ocultar patrimônio e lavar dinheiro por meio de fundos de investimento, fintechs e outras estruturas do mercado financeiro.
Inteligência artificial como ferramenta de fiscalização
O sistema de IA foi treinado com os padrões identificados durante a operação. Ele cruza dados de todos os fundos de investimento do país com informações de setores considerados mais suscetíveis à lavagem de dinheiro, como o de combustíveis. O objetivo é identificar movimentações incompatíveis com o perfil dos investimentos, estruturas usadas para ocultar patrimônio e indícios de lavagem de dinheiro, direcionando as ações da Receita Federal.
“Nós conseguimos botar de pé um sistema de inteligência artificial que vai usar essas informações olhando para os fundos do país, olhando para o mercado de postos de combustível e outros em que a gente vai conseguir otimizar e fazer uma Carbono Oculto a cada dois meses no país, se a gente tiver o compromisso político de avançar contra o crime organizado, em especial a lavagem de dinheiro no andar de cima”, afirmou Durigan.
Cancelamento de CNPJs e impacto no mercado
Como parte das ações do primeiro aniversário da operação, a Receita Federal cancelou, na última sexta-feira (28), cerca de mil CNPJs vinculados a contas bancárias consideradas comprometidas, impedindo essas empresas de emitir notas fiscais. A medida visa desarticular a estrutura usada pelo crime organizado para movimentar recursos ilícitos.
O esquema mapeado pela operação alcançou empresas de investimentos, fundos e fintechs, revelando mecanismos sofisticados de ocultação de patrimônio. A expectativa é que a nova tecnologia permita uma atuação mais ágil e abrangente, com operações periódicas em todo o país.
Panorama político e econômico
A iniciativa ocorre em um contexto de endurecimento do combate à lavagem de dinheiro e ao crime organizado, com foco em setores financeiros e de combustíveis. A medida também sinaliza uma maior integração entre órgãos federais e estaduais, como a parceria com a Secretaria da Fazenda de São Paulo, e reforça o papel da inteligência artificial na fiscalização tributária.
O anúncio foi feito durante o Macro Day, evento que reúne investidores e autoridades para discutir cenários econômicos e políticas públicas. A proposta, no entanto, depende de “compromisso político” para ser implementada, como destacou Durigan, o que pode gerar debates no Congresso e no setor produtivo.
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