Zema usa sede da Lava Jato em Curitiba para discurso contra corrupção e cita escândalos recentes

Em uma manobra simbólica carregada de memória política, o candidato à Presidência da República pelo partido Novo, Romeu Zema, cumpriu agenda na manhã desta segunda-feira (31) em frente à sede da Polícia Federal do Paraná, em Curitiba, palco central das investigações da Operação Lava Jato. No local, ele fez um discurso enfático contra a corrupção, relembrou a operação e criticou o que chamou de desmonte das investigações pelos “intocáveis de Brasília”, antes de seguir viagem para Santa Catarina.

A escolha do local não foi aleatória. A sede da PF no Paraná foi o principal centro operacional da Lava Jato, coordenando parte das investigações sobre esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro que abalaram o país a partir de 2014. O espaço concentrou equipes de investigação, cumpriu mandados e trabalhou em colaboração com o Ministério Público Federal e a Justiça Federal da 13ª Vara Federal, responsável pelos processos da operação. A carceragem da unidade também abrigou presos ligados aos esquemas investigados.

Durante a visita, Zema conversou com moradores e candidatos do partido Novo, recebeu propostas e gravou vídeos de campanha. À imprensa, ele discursou sobre o combate à corrupção, mencionando casos recentes que dominaram o noticiário nacional. “Estou aqui para reforçar, para relembrar: a Lava Jato foi a maior investigação, a maior luta do Brasil contra a corrupção, e infelizmente foi desmontada pelos intocáveis de Brasília, mas, se Deus quiser, nós vamos continuar com essa luta contra a corrupção no Brasil”, afirmou.

O candidato seguiu com críticas diretas a escândalos atuais: “Nós estamos hoje assistindo, estarrecidos, a tudo isso que está acontecendo aí: Banco Master, desconto indevido dos velhinhos, agora um esquema envolvendo uma lobista, o filho do presidente. Será que vamos continuar da mesma forma de antes? Fica tudo por isso mesmo? Pessoas que devolveram recursos que foram roubados, soltas, sem condenação… Será que é esse o país que o brasileiro deseja?”, questionou.

Após o discurso, Zema não respondeu a outras perguntas dos jornalistas e seguiu viagem para Santa Catarina, onde dará continuidade à agenda de campanha. A movimentação ocorre em um momento de acirramento do debate sobre pauta penal e combate à corrupção no cenário eleitoral, com candidatos de diferentes espectros políticos tentando capitalizar o legado da Lava Jato e a insatisfação popular com a impunidade.

Panorama político e o peso simbólico da Lava Jato

A visita de Zema à PF do Paraná ocorre em um contexto de disputa eleitoral marcado pela polarização e pela tentativa de diversos candidatos de se associarem a símbolos de combate à corrupção. A Lava Jato, que teve em Curitiba seu epicentro, segue como referência no imaginário político, mas também como alvo de críticas por supostos excessos e pela atuação parcial de alguns de seus integrantes.

Enquanto isso, o cenário nacional é agitado por escândalos como o caso Banco Master, que envolve suspeitas de irregularidades financeiras, e o desconto indevido em benefícios de idosos, além de um esquema que liga uma lobista ao filho do presidente. Esses casos alimentam o discurso de candidatos que se apresentam como renovadores ou como continuadores da luta contra a corrupção, como é o caso de Zema.

A agenda no Paraná também reforça a estratégia de campanha do candidato do Novo, que busca se diferenciar tanto do governo atual quanto de adversários históricos, apostando em uma imagem de gestor eficiente e de combate ao “establishment” político. A escolha de Curitiba, berço da operação que prendeu empresários e políticos de alto escalão, é uma tentativa de resgatar a memória de um período em que a Justiça brasileira parecia agir com força contra a impunidade.

Com a eleição se aproximando, a pauta da corrupção deve continuar dominando os debates, especialmente em um cenário de desconfiança popular e de questionamentos sobre a eficácia das instituições. A fala de Zema, ao mesmo tempo em que critica o desmonte da Lava Jato, também projeta uma promessa de continuidade, algo que pode ressoar entre eleitores que se sentem desamparados diante dos recentes escândalos.

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