Cerca de 45 milhões de usuários de internet com 16 anos ou mais no Brasil, o equivalente a 32% do total, relataram ter sofrido tentativas de golpe com o uso de seus dados pessoais. Além disso, 20% afirmaram ter sido vítimas efetivas desse tipo de crime. Os dados inéditos foram divulgados nesta segunda-feira (31) durante o 17º Seminário de Proteção à Privacidade e aos Dados Pessoais, realizado no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo.
As informações fazem parte da terceira edição da pesquisa Privacidade e proteção de dados pessoais: perspectivas de indivíduos, empresas e organizações públicas no Brasil, conduzida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), ligado ao Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), que integra o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). O estudo tem como missão produzir estatísticas e análises sobre os impactos das tecnologias digitais na sociedade.
Metodologia e abrangência
A pesquisa, de caráter nacional, teve como público-alvo usuários de internet com 16 anos ou mais. Realizada em dezembro de 2025, contou com 2,5 mil respondentes, por meio de entrevistas online (CAWI). O objetivo foi compreender a perspectiva dos indivíduos sobre privacidade, práticas de proteção, riscos percebidos e a visão sobre o uso de dados pessoais por terceiros.
Segundo Winston Oyadomari, um dos coordenadores do estudo, esta é a primeira vez que o Cetic.br investiga especificamente se as pessoas identificam tentativas de golpes pela internet ou se foram vítimas. Ele destacou a sensibilidade do tema: “Esse é até um tema difícil, porque as pessoas ficam constrangidas e abaladas com as tentativas de golpe, então, não é um tema simples para a pesquisa abordar”.
Panorama de segurança digital
Os números reforçam a preocupação com a segurança digital no país. Em abril deste ano, a Polícia Civil desarticulou um grupo que aplicava golpes contra idosos, conforme noticiado pela Agência Brasil. Outro levantamento apontou que a engenharia social responde por 40% das fraudes financeiras no Brasil. No Rio de Janeiro, a OAB recebeu mais de 2 mil denúncias do chamado golpe do falso advogado.
Especialistas alertam que a facilidade de acesso a dados pessoais e o aumento de transações online ampliam o risco de fraudes. A recomendação é que usuários adotem medidas como verificação em duas etapas, desconfiança de contatos não solicitados e monitoramento constante de extratos e contas.
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