Em um cenário político efervescente, a ministra do Planejamento, **Simone Tebet** (PSB), lançou uma forte repreensão ao prefeito de São Paulo, **Ricardo Nunes** (MDB), nesta sexta-feira (27), após ser rotulada de “marionete do Lula”. O embate, que transcende a disputa partidária e se aprofunda em questões de gênero, expõe as tensões crescentes na corrida eleitoral para o Senado por São Paulo e as complexas reconfigurações de alianças que moldarão o futuro político do país.
A declaração de **Ricardo Nunes**, proferida na semana passada, surgiu em resposta a questionamentos sobre a saída de **Tebet** do **MDB**, partido ao qual foi filiada por três décadas, para ingressar no **PSB** e concorrer a uma vaga no Senado Federal pelo estado de São Paulo nas eleições de outubro de 2022. A movimentação de **Tebet**, que foi pré-candidata à presidência da República pelo **MDB**, gerou repercussão e realinhamentos estratégicos, especialmente considerando seu papel na chapa de **Luiz Inácio Lula da Silva** (PT) e **Geraldo Alckmin**.
Ao oficializar sua filiação ao **PSB** nesta sexta-feira (27), **Simone Tebet** não hesitou em classificar a fala de **Nunes** como “agressiva” e “deselegante com todas as mulheres brasileiras”, conforme reportado pelo G1. A ministra enfatizou sua autonomia e a inaceitabilidade de ser direcionada por homens na política. “Primeiro que tá pra nascer o homem que vai me direcionar e fazer de mim uma marionete. Meu pai até que tentou. Quando ele falava com jeitinho e até atendia, por dever filial, e por meu pai ter sempre conduzido a minha vida. Mas fora isso, tá pra nascer o homem. É mais fácil eu atender um pedido da **Tabata**, da **Marina [Silva]**, das nossas mulheres do **PSB**, do que de qualquer outra autoridade masculina desse país”, declarou **Tebet**, sublinhando a importância da solidariedade feminina e da independência política.
A ministra fez questão de esclarecer a origem de sua candidatura em São Paulo, atribuindo-a a um pedido direto do presidente **Lula** e do vice-presidente **Geraldo Alckmin**. “Eu tenho o maior respeito pelo presidente **Lula** e, sim, eu vim a São Paulo por pedido do presidente **Lula** e de **Geraldo Alckmin**. Eles pediram que eu viesse a São Paulo ser candidata ao Senado Federal. Mas daí [a dizer que sou marionete], é uma ofensa. Acredito que, de forma absolutamente deselegante, **Ricardo Nunes** foi absolutamente deselegante com todas as mulheres brasileiras”, reiterou **Tebet**, transformando a crítica pessoal em uma defesa coletiva da dignidade feminina na esfera pública. Este ponto é crucial para entender a dinâmica das alianças e o peso das figuras políticas envolvidas.
Panorama Político: Alianças em Mutação e o Cenário de 2026
O episódio entre **Tebet** e **Nunes** ilustra a complexidade e a fluidez das alianças políticas no Brasil. Em 2022, **Simone Tebet** e **Ricardo Nunes** foram aliados, com o prefeito de São Paulo apoiando a então candidata à presidência da República, que ficou em terceiro lugar na disputa. Contudo, o cenário para as próximas eleições, especialmente para 2026, já aponta para uma clara divergência. Enquanto **Tebet** integrará a chapa de **Lula** e **Fernando Haddad** (PT), **Ricardo Nunes** já declarou seu apoio à chapa de oposição, que inclui nomes como **Tarcísio de Freitas** e **Flávio Bolsonaro**. Essa mudança de lado, embora esperada em um ambiente de polarização, acentua as tensões e personaliza os confrontos, como visto na troca de farpas recente.
A ministra **Simone Tebet** sugeriu que a fala de **Nunes** carregava um tom machista, desafiando-o diretamente: “Ricardo Nunes, você sabe do carinho que eu tenho por você. Não é forma de se fazer política. É uma forma agressiva, inclusive, de dar exemplo para as mulheres. É com quem diz: ‘não venham as mulheres quererem fazer política, porque nós aí vamos poder falar pra vocês mulheres, o que não falamos para homens’. Se eu fosse homem, ele teria coragem de dizer isso?”, questionou. A crítica de **Tebet** ecoa um debate mais amplo sobre o tratamento dispensado às mulheres na política brasileira, onde comentários depreciativos e sexistas ainda são frequentes. Vale ressaltar que, no dia 21 de março, **Nunes** já havia criticado a decisão de **Tebet** de deixar o **Mato Grosso do Sul** para concorrer ao Senado em **São Paulo**, adicionando mais um ponto de atrito à relação entre os dois políticos. Para aprofundar a discussão sobre o tema, veja a análise “Tebet rebate Nunes: ‘Marionete do Lula’ é ofensa machista” em nosso portal República do Povo.
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