A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS foi oficialmente encerrada neste sábado (28) após sete meses de trabalhos sem a apresentação e aprovação de um relatório final, culminando em fortes divergências entre seus membros.
O parecer elaborado pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL), que propunha o indiciamento de 216 pessoas, foi votado e rejeitado pela maioria dos integrantes da comissão, em um placar de 19 a 12 votos, selando o destino inconcluso da investigação.
Diante da reprovação, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), declarou o fim dos trabalhos, optando por não dar prosseguimento a um relatório alternativo construído pela base governista, que também buscava responsabilizar diversos indivíduos.
A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) tentou emplacar o relatório alternativo, mas o pedido foi negado pelo presidente da comissão. Carlos Viana prometeu encaminhar o material rejeitado para órgãos como o Ministério Público Federal e o STF, buscando dar continuidade às apurações.
Relatório Rejeitado e Alcance das Investigações
O extenso relatório do deputado Alfredo Gaspar, com mais de 4 mil páginas, alegava a existência de uma organização criminosa por trás das fraudes em descontos de benefícios, indicando figuras como o empresário Maurício Camisotti e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Entre os nomes citados no documento estavam o de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente. Segundo o relator, Lulinha teria recebido valores repassados por meio de uma amiga, também indiciada.
Relatório Alternativo e Suposta Liderança
O documento da base governista, por sua vez, sugeria o indiciamento de 201 pessoas, incluindo ex-ministros e o ex-presidente Jair Bolsonaro, apontado como líder de uma suposta estrutura criminosa que operava fraudulentos descontos associativos.
O relatório alternativo também incluía o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entre os investigados por suposta participação em organização criminosa, evidenciando a polarização política nas conclusões apuradas.
Contexto da Investigação
A CPMI do INSS vinha apurando desde agosto de 2025 os descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas, além de supostas ligações do Banco Master com a concessão irregular de empréstimos consignados.
A comissão enfrentou polêmicas, incluindo acusações de vazamento de conversas pessoais de Daniel Vorcaro, cujos dados apreendidos pela Polícia Federal foram compartilhados com o colegiado. A decisão do STF de barrar a prorrogação dos trabalhos acelerou o fim das atividades.
