O ex-primeiro-ministro do Nepal, KP Sharma Oli, foi formalmente detido neste sábado (28) em Katmandu, após uma comissão investigativa recomendar sua responsabilização por dezenas de mortes ocorridas durante a repressão a protestos violentos em setembro do ano passado.
A prisão de Oli, um veterano político de 74 anos, ocorre um dia após a posse do novo primeiro-ministro e foi fundamentada em conclusões que apontam para omissão na contenção da violência policial contra manifestantes, majoritariamente jovens.
Durante os atos de protesto, que eclodiram em meio a denúncias de corrupção e desigualdade, 76 pessoas morreram em decorrência de confrontos, repressão policial e incêndios, o que forçou a renúncia de Oli na época.
A detenção gerou imediatamente revolta entre os apoiadores de Oli, que se confrontaram com a polícia nas proximidades do gabinete do governo. Houve uso de gás lacrimogêneo e cassetetes para dispersar a multidão.
O partido do ex-primeiro-ministro classificou a prisão como um ato de vingança ilegal e exigiu a libertação imediata. Por outro lado, o atual ministro do Interior considerou a ação como o início da justiça no país.
Oli, que governou o Nepal em quatro ocasiões intermitentes entre 2015 e 2025, enfrentou forte declínio de popularidade, culminando em sua derrota eleitoral recente em seu próprio reduto.
A comissão investigativa detalhou que Oli e seu ex-ministro do Interior, Ramesh Lekhak, também detido, deixaram de tomar medidas eficazes para impedir horas de disparos contra os manifestantes.
Devido a questões de saúde, Oli foi transferido para um hospital após a prisão, enquanto seu advogado prepara contestação na Suprema Corte, alegando que a detenção é desprovida de fundamento legal.
A mobilização popular em setembro de 2025, amplamente impulsionada pela chamada Geração Z, expôs a profundidade da insatisfação com a elite política e a ostentação de privilégios em um país marcado pela pobreza, intensificando o debate sobre corrupção e responsabilidade estatal.
