O presidente **Luiz Inácio Lula da Silva** convocou as centrais sindicais para uma intensa mobilização e pressão sobre o Congresso Nacional, visando a aprovação do projeto de lei que propõe a redução da jornada de trabalho para no máximo 40 horas semanais e o fim da escala 6×1. O apelo ocorreu no **Palácio do Planalto**, em Brasília, nesta quarta-feira, 15 de abril, um dia após o envio da proposta ao legislativo, durante um encontro onde recebeu 68 reivindicações de representantes da “marcha da classe trabalhadora”, evidenciando a estratégia governamental de buscar apoio popular para reformas estruturais.
A reunião no **Palácio do Planalto** reuniu líderes de diversas centrais sindicais que, após participarem da “marcha da classe trabalhadora” na Esplanada dos Ministérios, apresentaram ao presidente **Luiz Inácio Lula da Silva** um conjunto de 68 reivindicações. O foco principal do encontro, no entanto, recaiu sobre a necessidade de engajamento dos trabalhadores para garantir a tramitação e aprovação do projeto de lei que visa modernizar as relações de trabalho, buscando o equilíbrio entre produtividade e bem-estar social.
Dirigindo-se aos dirigentes sindicais, o presidente **Luiz Inácio Lula da Silva** enfatizou a “sagrada responsabilidade” de lutar pelos trabalhadores, alertando para os desafios do cenário político atual. “Não tem tempo fácil. É sempre muito sacrifício. E cada vez que a gente manda uma coisa para aprovar no Congresso, é preciso saber que vocês têm que ajudar”, declarou, conforme noticiado pela **Agência Brasil**. A fala de **Lula** sublinha a percepção de que, sem a pressão popular e sindical, propostas de grande impacto social podem enfrentar resistências significativas no parlamento.
A Origem da Proposta: O Combate ao Burnout
Um dos catalisadores para a iniciativa de redução da jornada foi a história do ativista e ex-balconista **Rick Azevedo**, homenageado por **Lula** no evento. **Azevedo** é o criador do movimento *Vida Além do Trabalho*, que ganhou notoriedade após sua experiência pessoal com burnout e depressão, decorrentes do excesso de trabalho e da insuficiência de descanso. Em 13 de setembro de 2023, **Rick Azevedo** decidiu que “chega”, e postou um vídeo no TikTok denunciando o modelo de seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de folga. O vídeo viralizou, expondo a realidade de muitos brasileiros e impulsionando o debate sobre a necessidade de mudanças. O presidente **Luiz Inácio Lula da Silva** chegou a sugerir que, se aprovada, a lei leve o nome do ativista, reconhecendo seu papel fundamental na conscientização sobre o tema.
Panorama Político e Críticas a Reformas Anteriores
O pedido de mobilização das centrais sindicais por parte do governo **Lula** reflete a complexidade do cenário político e a necessidade de articulação para aprovar pautas progressistas. O presidente aproveitou o encontro para criticar veementemente as aprovações das reformas Trabalhista de 2017 e da Previdência de 2019, que, em sua visão, representaram retrocessos nos direitos dos trabalhadores. A **Reforma Trabalhista de 2017**, por exemplo, alterou mais de cem pontos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), flexibilizando contratos e contribuindo para a precarização de algumas relações de emprego, enquanto a **Reforma da Previdência de 2019** endureceu as regras para aposentadoria. A atual proposta de redução de jornada e fim da escala 6×1, portanto, insere-se em um contexto de tentativa de reverter parte desses impactos e de revalorizar o papel do trabalho digno no país, enfrentando prováveis resistências de setores empresariais e de parte do Congresso Nacional.
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