O ex-deputado federal **Alexandre Ramagem** (PL-RJ), figura central em investigações sobre a tentativa de golpe de Estado no Brasil, foi solto nos **Estados Unidos** nesta quarta-feira (15), após ser detido na segunda-feira (13) em **Orlando**, na **Flórida**, por questões migratórias. A libertação de Ramagem, que havia sido condenado pelo **Supremo Tribunal Federal (STF)** a 16 anos de prisão por seu envolvimento na trama que buscava manter o ex-presidente **Jair Bolsonaro (PL)** no poder, adiciona um novo capítulo à complexa saga jurídica e política que assola o país.
A **Polícia Federal (PF)** confirmou que a detenção inicial de Ramagem ocorreu por irregularidades migratórias. Ele foi levado a um centro de detenção no **Condado de Orange**, na Flórida, onde permaneceu em uma cela separada. Nesta quarta-feira, seu nome já não constava nas listas de detidos do centro nem no sistema do **Serviço de Imigração dos EUA (ICE)**, conforme apurado pela **TV Globo** com a polícia local. A liberação ocorreu às 14h52, horário local (15h52, em **Brasília**), embora detalhes adicionais sobre as condições de sua soltura ainda não tenham sido divulgados pela PF, que aguarda mais informações.
Contexto da Fuga e Condenação no Brasil
A presença de Ramagem nos Estados Unidos é resultado de uma fuga clandestina do Brasil em 2025, antes da conclusão de seu julgamento. Investigações da PF, divulgadas pelo **g1**, indicam que ele teria cruzado a fronteira de **Roraima** com a **Guiana** e, posteriormente, seguido para o território norte-americano. Sua condenação pelo STF o coloca como um dos integrantes do “núcleo central” da tentativa de golpe de Estado, que visava subverter a ordem democrática e perpetuar o então presidente Jair Bolsonaro no poder, um episódio que chocou a nação e gerou profundas cicatrizes na política brasileira.
Em janeiro deste ano, o **Ministério da Justiça** informou ao STF que o pedido de extradição de Ramagem foi formalmente encaminhado ao **governo norte-americano**. A **Embaixada do Brasil em Washington** enviou a documentação necessária ao **Departamento de Estado** em 30 de dezembro de 2025. Enquanto aliados de Ramagem sugeriam que ele pretendia solicitar asilo político nos Estados Unidos, o ministro **Alexandre de Moraes** do STF agiu preventivamente, determinando a inclusão do nome de Ramagem na lista da **Interpol**, o que possibilitou sua detenção por autoridades estrangeiras e sublinha a seriedade das acusações contra ele.
Sanções e Repercussões Políticas
Desde sua saída do Brasil, Alexandre Ramagem enfrentou uma série de sanções administrativas e políticas que demonstram a firmeza das instituições brasileiras em resposta aos atos golpistas. Em 18 de dezembro, seu mandato de deputado federal foi cassado pela **Câmara dos Deputados**. Consequentemente, a **Câmara** também cancelou seu passaporte diplomático. Além disso, por determinação do STF, todos os seus vencimentos parlamentares foram bloqueados, cortando qualquer fonte de renda oficial que pudesse ter como ex-parlamentar.
A trajetória de Ramagem é marcada por sua ascensão durante o governo Bolsonaro. Delegado da Polícia Federal desde 2005, ele ganhou notoriedade ao chefiar a segurança de Jair Bolsonaro após o atentado em **Juiz de Fora** durante a campanha de 2018. Posteriormente, foi nomeado para chefiar a **Agência Brasileira de Inteligência (Abin)**, período em que sua gestão se tornou alvo de investigações sobre o uso da estrutura do órgão para monitorar ilegalmente adversários políticos, no caso conhecido como “**Abin Paralela**”. Em 2020, uma tentativa de Bolsonaro de nomeá-lo **Diretor-Geral da Polícia Federal** foi suspensa pelo ministro Alexandre de Moraes, devido à sua proximidade pessoal com o então presidente, evidenciando a tensão entre o poder executivo e judiciário na época. A soltura de Ramagem nos EUA, portanto, não é apenas um evento isolado, mas um reflexo das complexas dinâmicas políticas e jurídicas que continuam a moldar o cenário brasileiro pós-tentativa de golpe.
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