O ex-prefeito de Maceió, JHC, deu sinais claros de que pretende disputar o governo de Alagoas em 2026 com uma estratégia ousada e arriscada: contar exclusivamente com votos avulsos e o apoio de novas lideranças políticas, sem recorrer às alianças tradicionais que historicamente dominam o cenário estadual. A declaração, feita em entrevista ao portal TNH1, expõe um movimento que pode reconfigurar as forças políticas locais, mas também carrega incertezas sobre a viabilidade eleitoral de uma candidatura sem o respaldo de partidos consolidados.

Segundo JHC, a decisão de não buscar coligações com siglas tradicionais reflete uma insatisfação com o modelo político vigente e a crença de que o eleitorado alagoano está aberto a novas alternativas. “Quero ser governador com o apoio direto do povo, sem amarras partidárias que limitem a minha atuação”, afirmou o ex-prefeito, que encerrou seu mandato em Maceió com avaliação positiva, mas enfrenta desafios para expandir sua base para além da capital.

O cenário político alagoano e os riscos da aposta

A estratégia de JHC ocorre em um momento de fragmentação política em Alagoas, onde partidos como MDB, PSDB e PP ainda exercem forte influência, mas enfrentam desgaste após sucessivos escândalos de corrupção. O ex-prefeito aposta que a insatisfação popular com as velhas lideranças pode abrir espaço para uma candidatura independente, mas analistas alertam que a falta de estrutura partidária pode dificultar a capilaridade da campanha no interior do estado.

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, nas últimas eleições estaduais, candidatos sem coligações tradicionais tiveram desempenho inexpressivo, com média de 5% dos votos válidos. No entanto, JHC acredita que sua gestão em Maceió, marcada por obras de infraestrutura e programas sociais, lhe confere capital político suficiente para superar essa barreira. “Não estou subestimando o sistema, mas acredito que o povo quer mudança”, disse.

Impactos para o cenário nacional

A movimentação de JHC também ecoa em Brasília, onde lideranças nacionais observam com atenção o experimento alagoano. Em um contexto de polarização entre os governos federal e estadual, a candidatura avulsa pode servir de teste para estratégias semelhantes em outros estados, especialmente entre políticos que buscam se desvincular das grandes coalizões partidárias.

Especialistas em ciência política, como o professor Carlos Melo, da Universidade de São Paulo, avaliam que a aposta de JHC é de alto risco, mas não impossível. “Em um cenário de crise de representatividade, candidatos com boa gestão municipal podem surfar a onda antissistema. No entanto, sem máquina partidária e recursos financeiros robustos, a chance de sucesso é reduzida”, analisa.

O ex-prefeito, por sua vez, já iniciou conversas com movimentos sociais e lideranças comunitárias, buscando construir uma base alternativa. Ainda não há confirmação sobre quais partidos, se houver, apoiarão a candidatura, mas JHC descartou alianças com siglas que considera “comprometidas com o velho modelo”.

A decisão final sobre a candidatura deve ser anunciada até meados de 2025, quando os prazos eleitorais começam a se aproximar. Enquanto isso, a classe política alagoana acompanha com curiosidade e ceticismo o desenrolar dessa aposta que pode redefinir as regras do jogo no estado.

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