O prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa, trocou elogios públicos com o senador Renan Filho (MDB-AL) durante evento político na última semana, mas evitou confirmar apoio formal à candidatura do senador ou de seus aliados na disputa municipal de 2024. A postura ambígua do gestor, que já foi vice-governador de Alagoas, acirra as especulações sobre as alianças no segundo maior colégio eleitoral do estado, onde o grupo do senador busca consolidar hegemonia.
Em discurso, Luciano Barbosa destacou a trajetória de Renan Filho como governador e senador, classificando-o como “um dos principais líderes de Alagoas”. No entanto, ao ser questionado por jornalistas sobre um eventual apoio em Arapiraca, o prefeito desconversou: “Estamos conversando com todos os partidos e lideranças. O momento é de diálogo, não de definições”. A declaração contrasta com a expectativa de aliados do senador, que esperavam um anúncio conjunto durante o evento.
O movimento de Luciano Barbosa ocorre em um contexto de reconfiguração das forças políticas em Alagoas. Renan Filho, que lidera as pesquisas de intenção de voto para o governo do estado em 2026, busca ampliar sua base municipalista, enquanto o prefeito de Arapiraca tenta equilibrar o apoio ao senador com a manutenção de pontes com outros grupos, como o do governador Paulo Dantas (MDB) e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que também têm influência na região.
Analistas políticos apontam que a indefinição de Luciano Barbosa reflete uma estratégia de evitar desgastes precoces, já que Arapiraca é um palco de disputas históricas entre clãs políticos. O prefeito, que busca a reeleição em 2024, precisa garantir o apoio de pelo menos 40% dos vereadores e de lideranças comunitárias, o que o leva a manter diálogo com todas as legendas, do MDB ao PL.
Enquanto isso, Renan Filho intensifica articulações com prefeitos do interior, como parte de sua pré-campanha ao governo. Em Arapiraca, o senador conta com o apoio declarado de parte da base aliada, mas a ausência de um sinal claro de Luciano Barbosa pode abrir espaço para adversários, como o deputado federal Arthur Lira (PP-AL), que também tem interesses na cidade.
A indefinição do prefeito, no entanto, não é vista como um rompimento, mas como um jogo de cena típico da política alagoana. “Luciano sabe que Renan Filho é um ator central, mas também precisa negociar com outros polos de poder. O apoio virá, mas com condições”, avalia o cientista político Carlos Melo, da Universidade Federal de Alagoas. O prazo para definições de alianças termina em março de 2024, quando as convenções partidárias devem selar os acordos.
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