Um agente penitenciário foi preso preventivamente nesta semana sob suspeita de integrar um esquema que facilitava a entrada e a circulação irregular de celulares no Conjunto Penal de Feira de Santana, na Bahia. A ação faz parte de uma operação mais ampla que investiga a atuação de servidores públicos no tráfico de aparelhos dentro do sistema prisional baiano.
De acordo com informações apuradas pela CNN Brasil, a prisão ocorreu durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça. O agente, cujo nome não foi divulgado, foi detido em flagrante após a polícia encontrar evidências de seu envolvimento no esquema. A operação é conduzida pela Polícia Civil da Bahia, com apoio do Ministério Público estadual, e visa desarticular uma rede que operava dentro da unidade prisional.
Investigação aponta esquema estruturado
Segundo as autoridades, a investigação começou após denúncias anônimas e monitoramento de comunicações de detentos. Os agentes identificaram que celulares eram introduzidos no presídio de forma sistemática, com a conivência de funcionários da unidade. A entrada desses aparelhos é proibida por lei, mas o esquema teria funcionado por meses, permitindo que presos mantivessem contato com o exterior para coordenar atividades criminosas.
Além do agente preso, outros servidores do Conjunto Penal de Feira de Santana são alvo de investigação. A polícia não descarta novas prisões nas próximas semanas, à medida que as análises de materiais apreendidos avançam. Os envolvidos podem responder por corrupção passiva, prevaricação e associação criminosa, com penas que podem ultrapassar 10 anos de reclusão.
Panorama do sistema prisional baiano
O caso em Feira de Santana reflete um problema recorrente no sistema prisional brasileiro, onde a entrada de celulares é um dos principais desafios para a segurança pública. Na Bahia, a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) já realizou mutirões de revistas em diversas unidades, mas a apreensão de aparelhos continua sendo uma constante. Dados recentes indicam que, somente em 2024, mais de 1.500 celulares foram apreendidos em presídios baianos, evidenciando a dimensão do problema.
Especialistas apontam que a facilitação de entrada de celulares por agentes penitenciários é um dos elos mais críticos, pois envolve corrupção interna e compromete a segurança de toda a unidade. A operação em Feira de Santana é vista como um passo importante para coibir essa prática, mas também levanta questionamentos sobre a necessidade de reforço no controle e na fiscalização dos servidores.
Em nota, a Polícia Civil da Bahia confirmou a prisão e afirmou que as investigações continuam em sigilo para não comprometer as diligências. A Seap, por sua vez, informou que abriu procedimento administrativo para apurar a conduta do agente e que colabora com as autoridades. O presídio de Feira de Santana, que abriga cerca de 1.200 detentos, segue em funcionamento normal, mas com reforço na segurança durante a operação.
O caso ganha repercussão em um momento em que o estado discute políticas de modernização do sistema prisional, incluindo o uso de bloqueadores de sinal e a instalação de scanners corporais. A prisão do agente, no entanto, mostra que a tecnologia sozinha não resolve o problema, sendo essencial o combate à corrupção interna.
Enquanto isso, a população de Feira de Santana e a comunidade jurídica acompanham os desdobramentos, esperando que a operação traga respostas e sirva de alerta para outros casos semelhantes. A expectativa é de que o Ministério Público ofereça denúncia formal nos próximos dias, dando início ao processo criminal contra os envolvidos.
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