Agressão homofóbica no Parque da Redenção: três seguranças são investigados por ataque a professor de balé em Porto Alegre

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul cumpriu, nesta quinta-feira (2), três mandados de busca e apreensão em uma operação que investiga a agressão a um professor de balé de 49 anos, ocorrida no dia 9 de maio no Parque da Redenção, em Porto Alegre. O crime, segundo as investigações, teve motivação homofóbica e foi praticado por três seguranças contratados por um estabelecimento comercial e um restaurante localizados no parque. A ação foi gravada pelos próprios suspeitos.

A vítima relatou à polícia que foi abordada e agredida fisicamente, além de ter sido alvo de ofensas como “não quero saber de viado aqui”. O delegado Vinicius Nahan, titular da Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância, afirmou que não há dúvidas sobre as agressões e a motivação homofóbica, considerando o relato da vítima, a extensão das lesões e a gratuidade do ataque.

Durante a operação, foram apreendidos munições, dois simulacros de arma de fogo, uma espingarda de pressão, um taser, um cassetete, uma luneta, telefones celulares e dinheiro em espécie. Os suspeitos, que não tiveram as identidades divulgadas, têm 22, 26 e 55 anos. A polícia solicitou a prisão preventiva dos três, mas a Justiça não atendeu aos pedidos.

Panorama político e social

O caso ocorre em um contexto de aumento da violência contra a comunidade LGBTQIA+ no Brasil, que registrou recorde de denúncias de homofobia em 2025, segundo dados do Disque 100. A agressão no Parque da Redenção, um dos espaços públicos mais emblemáticos de Porto Alegre, reacende o debate sobre a segurança em áreas de lazer e a atuação de seguranças particulares, que muitas vezes atuam sem supervisão adequada. Organizações de direitos humanos, como a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT), cobram medidas mais rigorosas contra a discriminação e a violência motivada por orientação sexual ou identidade de gênero.

A investigação segue em andamento, e a polícia busca identificar outros possíveis envolvidos. A vítima, que não foi identificada publicamente, recebeu apoio de grupos de defesa dos direitos LGBTQIA+ e de parlamentares estaduais, que prometem acompanhar o caso de perto. O episódio também levanta questionamentos sobre a eficácia das leis de combate à homofobia no país, que equiparam crimes de ódio contra a comunidade LGBTQIA+ ao racismo desde 2019, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

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