Airbnb se compromete a retirar anúncios de moradias populares em SP

Airbnb removerá anúncios de moradia social em São Paulo após pressão, mas especialistas alertam para a necessidade de fiscalização mais rigorosa e ajuste nas políticas habitacionais.

Airbnb se compromete a retirar anúncios de moradias populares em SP

O Airbnb anunciou que removerá de sua plataforma todos os anúncios de imóveis classificados como Habitações de Interesse Social (HIS) e Habitações de Mercado Popular (HMP) em São Paulo, após comprometer-se a agir assim que a Prefeitura apresentar uma lista detalhada desses endereços.

A decisão surge em resposta a reportagens que revelaram o uso indevido desses imóveis, originalmente destinados a famílias de baixa e média renda, como hospedagem temporária para turistas, contrariando decretos municipais. A Prefeitura de São Paulo informou que **divulgará a lista dos imóveis até o fim desta quinta-feira**.

A promessa da plataforma de locação temporária veio durante depoimento na Câmara Municipal de São Paulo, onde a diretora de Relações Institucionais, Carla Bueno Comarella, afirmou que a empresa **não tem interesse em manter anúncios irregulares** em sua plataforma. Anteriormente, o Airbnb exigia ordem judicial ou executiva para remover conteúdos.

A medida foi comunicada em momento de forte pressão sobre o Airbnb, que se manifestou perante uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar irregularidades em programas habitacionais. A companhia alegou desconhecer quais unidades em sua plataforma se enquadram como HIS ou HMP, justificando a necessidade de uma listagem oficial para efetuar as remoções.

A CPI das HIS tem cobrado a Prefeitura pela elaboração da lista de unidades com incentivos fiscais e urbanísticos concedidos desde 2014. Especialistas apontam que o **desvio desses imóveis** compromete o objetivo de reduzir o déficit habitacional na metrópole, que passou de 570 mil pessoas em 2016 para 605 mil em 2023.

A polêmica envolve também o programa Minha Casa Minha Vida, com reportagens indicando brechas que permitiriam a locação temporária de imóveis subsidiados. Vereadores já acionaram o Ministério das Cidades e a Caixa Econômica Federal para **solicitar maior fiscalização** e possíveis mudanças nas regras do programa federal.

Pesquisadoras criticam a política de HIS, estimando que a Prefeitura de São Paulo deixou de arrecadar aproximadamente **R$ 1 bilhão** desde 2014 com as isenções fiscais. Alertam para a falta de dados e monitoramento, sugerindo que a política, em seu formato atual, é **imonitorável e deveria ser suspensa**.

O próximo passo envolve a efetivação da lista de imóveis pela Prefeitura e a subsequente ação do Airbnb e de outras plataformas. Paralelamente, a CPI das HIS pretende apresentar um projeto de lei com novas regras, incluindo a proibição de compra de unidades por pessoas jurídicas e investidores, e a limitação de aquisição de mais de uma unidade por indivíduo.

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