O estado de Alagoas atingiu um marco inédito na segurança pública ao completar mais de dois meses consecutivos sem registro de feminicídios, conforme dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP). O período, que já ultrapassa 67 dias, representa o maior intervalo sem mortes de mulheres por razões de gênero na história recente do estado, sinalizando uma mudança significativa no enfrentamento à violência doméstica e de gênero na região.
De acordo com o balanço oficial da SSP, os números refletem uma tendência de queda nos crimes contra a vida de mulheres, que já vinha sendo observada nos últimos anos. Em 2025, o estado registrou uma redução de aproximadamente 40% nos casos de feminicídio em comparação com o mesmo período do ano anterior. A marca de 67 dias sem ocorrências supera recordes anteriores e coloca Alagoas como referência nacional em políticas de prevenção e proteção às vítimas.
Políticas integradas e rede de proteção
O resultado positivo é atribuído a um conjunto de ações coordenadas entre as forças de segurança, o sistema de justiça e a rede de assistência social. Entre as medidas destacadas pela SSP estão a ampliação das Patrulhas Maria da Penha, que realizam monitoramento constante de medidas protetivas, e a criação de delegacias especializadas no atendimento à mulher em todas as regiões do estado. Além disso, programas de capacitação de agentes policiais e campanhas de conscientização têm contribuído para a identificação precoce de situações de risco.
O governador de Alagoas, Paulo Dantas, e o secretário de Segurança Pública, Flávio Saraiva, enfatizaram que o trabalho integrado entre as polícias Civil e Militar, o Ministério Público e o Poder Judiciário foi fundamental para o avanço. “Não se trata de um feito isolado, mas do resultado de um esforço coletivo que envolve desde a prevenção nas comunidades até a resposta rápida das forças de segurança”, afirmou Saraiva em coletiva de imprensa.
Panorama nacional e desafios persistentes
O cenário em Alagoas contrasta com a realidade nacional, onde o Brasil ainda registra altos índices de feminicídio. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que, em 2024, o país teve uma média de uma mulher morta a cada seis horas por razões de gênero. Embora estados como São Paulo e Minas Gerais também tenham apresentado quedas, a marca de Alagoas se destaca pela consistência e pelo período prolongado sem ocorrências.
Especialistas em segurança pública apontam que a redução dos feminicídios está diretamente ligada ao fortalecimento da rede de proteção e à efetividade das medidas protetivas. No entanto, alertam que o desafio permanece, especialmente em áreas rurais e comunidades mais vulneráveis, onde o acesso a serviços de apoio ainda é limitado. A SSP informou que continuará investindo em tecnologia, como aplicativos de monitoramento e botões de pânico, além de expandir o atendimento psicológico e jurídico às vítimas.
O marco de 67 dias sem feminicídios em Alagoas é celebrado por movimentos sociais e organizações de defesa dos direitos das mulheres, que veem no resultado uma prova de que políticas públicas bem estruturadas podem salvar vidas. “Cada dia sem uma morte é uma vitória, mas não podemos relaxar. Precisamos manter o foco na prevenção e no acolhimento”, destacou a coordenadora do Observatório da Mulher Alagoana, Maria do Socorro. A expectativa é que o estado continue a servir de modelo para outras unidades da federação, enquanto a luta contra a violência de gênero segue como prioridade nacional.
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