Dados do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD2025), divulgado pela plataforma MapBiomas, revelam que Alagoas registrou uma redução de 68,4% no desmatamento em 2025, apresentando um dos maiores recuos proporcionais do país no período analisado. O resultado coloca o estado nordestino em destaque no cenário nacional de combate à supressão vegetal, em um contexto de pressão ambiental crescente.
De acordo com o levantamento, a queda expressiva foi impulsionada por ações de fiscalização e monitoramento do Instituto do Meio Ambiente (IMA-AL), que tem atuado efetivamente para evitar a supressão vegetal em áreas de Mata Atlântica e Caatinga, biomas predominantes no estado. O IMA-AL intensificou operações de campo e parcerias com órgãos federais, como o Ibama, para coibir desmatamentos ilegais.
Panorama nacional e contexto político
A redução em Alagoas contrasta com a média nacional, que ainda enfrenta desafios significativos, especialmente na Amazônia e no Cerrado. Segundo o MapBiomas, o Brasil registrou uma queda geral de 11% no desmatamento em 2025, mas estados como Pará e Mato Grosso ainda concentram os maiores índices de supressão. A performance alagoana é atribuída a políticas estaduais de comando e controle, além de incentivos à regularização fundiária e à recuperação de áreas degradadas.
O governo estadual, sob a gestão do Partido dos Trabalhadores (PT), tem priorizado a agenda ambiental como eixo de desenvolvimento, em sintonia com as metas do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg). A redução de 68,4% representa um avanço concreto em direção às metas de redução de emissões de gases de efeito estufa, estabelecidas no Acordo de Paris.
Especialistas ouvidos pelo Portal República do Povo destacam que a queda em Alagoas é um sinal positivo, mas alertam para a necessidade de continuidade das políticas públicas. “O desmatamento zero exige monitoramento constante e investimento em tecnologia, como o uso de satélites e inteligência artificial”, afirma João Paulo Silva, pesquisador do Instituto de Pesquisas Ambientais. A sociedade civil, por meio de organizações como o Greenpeace e o WWF-Brasil, também tem cobrado transparência nos dados e punição aos infratores.
O MapBiomas é uma plataforma colaborativa que reúne universidades, ONGs e empresas de tecnologia para monitorar a cobertura vegetal do Brasil. O RAD2025 é a principal referência para políticas públicas e para o acompanhamento das metas ambientais do país. A divulgação dos dados ocorre em um momento de debate sobre o novo Código Florestal e a regularização ambiental, temas que devem pautar o Congresso Nacional nos próximos meses.
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