Alagoas reduz insegurança alimentar grave em mais de 1 milhão de pessoas, aponta Ministério

Mais de 1 milhão de alagoanos conseguiram superar a condição de insegurança alimentar grave, de acordo com dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. O levantamento, baseado na Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), aponta uma redução significativa no número de pessoas que enfrentavam a falta regular de alimentos no estado de Alagoas, um dos mais afetados historicamente pela pobreza e pela fome no Brasil.

A queda expressiva foi registrada entre os anos de 2022 e 2024, período em que políticas públicas como o Programa Bolsa Família, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Restaurante Popular foram ampliadas e fortalecidas. Segundo o ministério, a melhora nos indicadores está diretamente relacionada ao aumento da cobertura de transferência de renda e à retomada de ações estruturantes de segurança alimentar, como a distribuição de cestas básicas e o incentivo à agricultura familiar.

Panorama geral e impacto social

Os dados do ministério mostram que, em 2022, cerca de 1,3 milhão de alagoanos viviam em situação de insegurança alimentar grave, número que caiu para aproximadamente 300 mil em 2024. A redução de mais de 1 milhão de pessoas representa uma queda de cerca de 77% no contingente de famílias que passavam fome no estado. O resultado coloca Alagoas como um dos estados com maior avanço no combate à fome no Nordeste, região que ainda concentra os maiores índices de pobreza do país.

Especialistas em segurança alimentar destacam que a melhora reflete não apenas a ampliação de programas sociais, mas também a recuperação econômica pós-pandemia e o aumento do poder de compra das famílias mais pobres. No entanto, alertam que ainda há desafios, como a garantia de acesso a alimentos de qualidade e a necessidade de políticas permanentes de geração de emprego e renda.

Contexto político e perspectivas

A redução da insegurança alimentar em Alagoas ocorre em um cenário de retomada de políticas sociais pelo governo federal, após anos de cortes e desmonte de programas durante a gestão anterior. A Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do ministério destacou que os resultados são fruto de uma ação coordenada entre União, estados e municípios, com foco na integração de políticas de assistência social, saúde e agricultura.

Para o governo estadual, os números representam um avanço importante, mas ainda insuficiente. A meta é reduzir a zero o número de pessoas em situação de fome até 2026, com investimentos em programas como o Alagoas Sem Fome, que prevê a distribuição de alimentos e a capacitação de famílias para a produção própria. Organizações da sociedade civil, como a Campanha Contra a Fome, reforçam a necessidade de monitoramento contínuo e de transparência na aplicação dos recursos públicos.

O levantamento do ministério também aponta que, em todo o Brasil, cerca de 33 milhões de pessoas ainda vivem em insegurança alimentar grave, número que, embora tenha caído em relação a 2022, ainda é considerado alarmante. A situação de Alagoas, portanto, serve como exemplo de que políticas bem estruturadas podem gerar resultados rápidos, mas também evidencia a fragilidade de avanços que dependem de continuidade orçamentária e de vontade política.

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