Ameaçada de extinção, ave marinha transforma pilar da Terceira Ponte em berçário; queda de filhotes no mar mobiliza força-tarefa no ES

Quase 92 mil veículos passam todos os dias pelos 3,3 km de extensão da Terceira Ponte, entre Vitória e Vila Velha. Mas, 70 metros abaixo do asfalto, entre os pilares de concreto, existe um cenário que poucos conhecem: uma colônia de aves marinhas ameaçadas de extinção tenta sobreviver em um ambiente construído pelo homem. Os trinta-réis-de-bando de bico amarelo, também conhecidos como andorinhas-do-mar, escolheram um dos 61 pilares da ponte como local de reprodução. A espécie entrou para a lista de animais ameaçados de extinção no Espírito Santo em 2022.

A mudança de comportamento aconteceu depois da epidemia de gripe aviária, em 2023, quando milhares de aves desapareceram das ilhas onde tradicionalmente faziam seus ninhos, especialmente em Vila Velha. Na natureza, adaptar-se costuma significar sobreviver. Para os trinta-réis, porém, a adaptação criou um novo desafio. Diferentemente das ilhas, onde os filhotes caminham em grandes grupos até desenvolverem força para voar, o concreto da ponte oferece pouco espaço. E isso cria um perigo para a sobrevivência dos animais mais novos. Muitos acabam chegando à borda da estrutura, que tem seis metros de altura, e caem no mar antes de estarem preparados para voar. As aves podem morrer com a queda ou por hipotermia na água.

Força-tarefa de resgate e monitoramento

O g1 acompanhou de perto o trabalho de pesquisadores, veterinários e voluntários que monitoram a colônia durante a temporada reprodutiva. A equipe montou uma força-tarefa para acompanhar os ninhos, resgatar filhotes caídos, instalar estruturas de proteção e buscar alternativas para reduzir as perdas de uma espécie que já perdeu grande parte da população reprodutiva no Espírito Santo.

Alerta nacional contra a gripe aviária

Os trinta-réis-de-bando ganharam destaque nacional em 2023 por outro motivo. Foram as primeiras aves a indicar a chegada da influenza aviária de alta patogenicidade ao Brasil. Segundo o médico-veterinário e diretor do Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos (Ipram), Luiz Felipe Mayorga, o alerta permitiu que autoridades sanitárias adotassem medidas para proteger a população e a cadeia produtiva. “Essas aves nos avisaram sobre a chegada da gripe aviária. Isso permitiu que o governo, as empresas e a saúde pública se organizassem”, afirmou Mayorga.

O caso evidencia os impactos das transformações ambientais e da ação humana sobre espécies já vulneráveis, e a necessidade de estratégias de conservação que considerem tanto a proteção dos animais quanto a infraestrutura urbana.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *