Com 100% das urnas apuradas, a candidata a presidente do Peru Keiko Fujimori venceu as eleições com 50,135% dos votos, anunciou na tarde desta segunda-feira (29) a Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), 22 dias após a realização do segundo turno do pleito no país. Seu adversário, Roberto Sánchez, somou 49,865% dos votos. A vitória da filha do ex-ditador Alberto Fujimori ainda precisa ser declarada oficialmente pelo Jurado Nacional Eleitoral (JNE), que analisa recursos contra o resultado.
Keiko, do partido conservador Fuerza Popular, ficou com 9.233.396 votos, enquanto Sánchez, candidato da esquerda pelo partido Juntos por el Perú, teve 9.173.755 votos. A diferença entre os dois candidatos foi de apenas 59.641 votos, o que representa 0,27% do total de votos válidos. A disputa no segundo turno foi extremamente apertada e polarizada, chegando a ficar empatada em números absolutos de votos durante a apuração. Keiko largou na frente, foi ultrapassada por Sánchez e depois retomou a liderança, consolidando a vitória apenas nos últimos lotes de votos.
Panorama político e reações
Desde a última quarta-feira (24), já se sabia que Fujimori seria a vencedora, quando ela atingiu um total de votos que não poderia mais ser superado pelo adversário. No entanto, a demora na apuração oficial e a falta de transparência no processo alimentaram a desconfiança de setores da sociedade. Na semana passada, Sánchez declarou que não reconheceria o resultado deste segundo turno, alegando manipulação de votos e pedindo uma recontagem. O partido entrou na Justiça com um recurso para anular votos registrados no exterior, onde Keiko teve vantagem expressiva.
A vitória de Keiko Fujimori ocorre em um contexto de forte polarização política no Peru, que já viveu cinco presidentes nos últimos cinco anos e enfrenta uma crise de representação. A candidata de direita, que já havia disputado o cargo em 2011 e 2016, agora se prepara para governar um país dividido, com uma oposição que contesta a legitimidade do pleito. O presidente em exercício, Francisco Sagasti, já convocou uma reunião de emergência com as forças políticas para tentar garantir a estabilidade durante a transição.
Impactos e próximos passos
A confirmação oficial pelo JNE pode levar semanas, enquanto os recursos são analisados. Caso a vitória seja homologada, Keiko Fujimori assumirá a presidência em meio a desafios como a pandemia de covid-19, a recessão econômica e a necessidade de reconstruir a confiança nas instituições. A comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos e a União Europeia, já manifestou preocupação com a demora na apuração e pediu que o processo seja conduzido de forma transparente.
Para o Brasil, a eleição peruana tem impacto direto nas relações bilaterais, especialmente no comércio e na integração regional. O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, acompanha de perto o desenrolar dos acontecimentos e deve se pronunciar após a decisão final do JNE. Enquanto isso, o Peru segue em compasso de espera, com a população dividida entre a comemoração dos apoiadores de Fujimori e a indignação dos que contestam o resultado.
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