A Assembleia Legislativa de Alagoas precisa enfrentar com urgência o problema da letalidade na juventude, defendeu a vereadora Teca Nelma (PSOL) durante pronunciamento na Câmara Municipal de Maceió. A parlamentar alertou que o estado registra um dos maiores índices de homicídios de jovens do país, especialmente entre negros e moradores de periferias, e cobrou que o Legislativo estadual assuma protagonismo na elaboração de políticas de prevenção e combate à violência.
Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Alagoas lidera o ranking nacional de mortes violentas de adolescentes e jovens adultos, com taxas que superam a média nacional. A vereadora destacou que, em 2024, Maceió concentrou mais de 60% dos homicídios de jovens no estado, a maioria em bairros como Jacintinho, Benedito Bentes e Tabuleiro do Martins. “Não podemos naturalizar que nossos jovens morram antes dos 25 anos. A Assembleia precisa agir com políticas de Estado, não apenas com discursos”, afirmou Teca Nelma.
Panorama político e cobranças
A declaração ocorre em um contexto de pressão sobre o governo estadual e a Assembleia Legislativa para ampliar investimentos em segurança pública, educação e geração de emprego para a juventude. A vereadora lembrou que, em 2023, o estado aprovou a Lei Estadual de Prevenção à Violência Juvenil, mas a implementação ainda é tímida. “Temos uma lei, mas falta vontade política para executá-la. Enquanto isso, famílias inteiras são destruídas pela violência”, criticou.
A cobrança de Teca Nelma ecoa movimentos sociais e entidades de direitos humanos, como o Instituto de Defesa dos Direitos Humanos, que apontam a necessidade de integrar ações entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Dados do Observatório da Violência de Alagoas indicam que, a cada 10 jovens assassinados no estado, 8 são negros e 7 têm entre 15 e 24 anos. “A letalidade juvenil é uma questão racial e de classe. A Assembleia não pode se omitir”, reforçou a vereadora.
Em resposta, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Victor (MDB), afirmou que a Casa está aberta ao diálogo e que uma comissão especial será criada para debater o tema. No entanto, a vereadora questionou a demora: “Já tivemos audiências públicas, relatórios e promessas. O que falta é ação concreta. A juventude não pode esperar mais”.
A situação em Alagoas reflete um problema nacional: o Brasil registrou, em 2023, mais de 30 mil homicídios de jovens, segundo o Atlas da Violência. Especialistas apontam que a redução da maioridade penal e o encarceramento em massa não resolvem a raiz do problema, que exige investimento em educação, cultura e oportunidades de trabalho. “Enquanto a Assembleia não tratar a juventude como prioridade, continuaremos perdendo gerações”, concluiu Teca Nelma.
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