Uma equipe internacional de astrônomos anunciou a descoberta de dois exoplanetas com densidade inferior à do algodão-doce, localizados a mais de mil anos-luz da Terra, no sistema estelar Kepler-51. Os planetas, denominados Kepler-51b e Kepler-51d, apresentam densidades tão baixas que desafiam os modelos atuais de formação planetária, sendo comparáveis a uma nuvem de açúcar.
Os dados, obtidos pelo telescópio espacial Kepler da NASA e confirmados por observações do Telescópio Espacial Hubble, revelam que esses mundos têm massas equivalentes a poucas vezes a da Terra, mas volumes desproporcionalmente grandes, resultando em densidades médias de aproximadamente 0,03 gramas por centímetro cúbico — menos que a do algodão-doce (cerca de 0,05 g/cm³). A descoberta foi publicada na revista The Astronomical Journal e liderada pelo pesquisador Dr. Zachary Berta-Thompson, da Universidade do Colorado.
Impacto na ciência planetária
A existência de planetas tão pouco densos sugere que suas atmosferas são compostas predominantemente por hidrogênio e hélio, com possíveis camadas de vapor d’água e outros gases leves. Isso indica que esses corpos podem ter se formado em regiões do disco protoplanetário com baixa densidade de material sólido, ou que passaram por processos de perda de massa significativos ao longo de bilhões de anos. O estudo amplia o leque de possibilidades para a diversidade de exoplanetas, que já inclui desde mundos rochosos até gigantes gasosos.
Para o panorama político-científico, a descoberta reforça a importância do financiamento contínuo de missões espaciais como o Kepler e o Hubble, que têm sido alvo de cortes orçamentários em diversos países. Nos Estados Unidos, o orçamento da NASA para 2025 prevê reduções em programas de exploração planetária, o que pode comprometer futuras investigações sobre sistemas como o Kepler-51. No Brasil, a Agência Espacial Brasileira (AEB) tem buscado parcerias internacionais para participar de missões similares, mas enfrenta restrições fiscais.
Os pesquisadores planejam agora usar o Telescópio Espacial James Webb para analisar a composição atmosférica dos planetas, buscando sinais de moléculas como metano e dióxido de carbono. Se confirmados, esses dados podem fornecer pistas sobre a habitabilidade potencial de exoplanetas de baixa densidade, embora as temperaturas extremas — estimadas em mais de 300°C na superfície — tornem improvável a existência de vida como conhecemos.
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