Um ataque de tubarão ocorrido na tarde deste sábado (26) na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, elevou para 83 o número de incidentes registrados em Pernambuco desde o início da série histórica. A vítima, um menino de 11 anos, foi socorrida e encaminhada ao hospital, mas o estado de saúde ainda não foi divulgado oficialmente. O local do incidente não integra o trecho com proibição de mergulho, mas possui placas alertando para a possibilidade de ataques, o que reacende o debate sobre a eficácia das medidas de prevenção e a segurança dos banhistas no litoral pernambucano.
De acordo com informações do Corpo de Bombeiros e da prefeitura de Jaboatão dos Guararapes, o ataque ocorreu em uma área que, embora não esteja na faixa de proibição total de banho, é sinalizada com placas de risco. A região de Piedade é conhecida por ser um dos pontos com maior incidência de ataques de tubarão no estado, especialmente após a construção do Porto de Suape, que alterou a dinâmica marinha e atraiu tubarões para a costa. O menino estava acompanhado da família no momento do ataque, e equipes de resgate foram acionadas rapidamente.
Panorama dos ataques em Pernambuco
O número de 83 ataques de tubarão em Pernambuco, agora atualizado, inclui incidentes fatais e não fatais desde 1992, quando a série histórica começou a ser monitorada. A maioria dos casos ocorre na faixa litorânea que vai de Recife a Jaboatão dos Guararapes, especialmente nas praias de Piedade, Candeias e Boa Viagem. Apesar das medidas adotadas ao longo dos anos, como a instalação de redes de proteção e a proibição de banho em trechos específicos, os ataques continuam a ocorrer, gerando preocupação entre moradores e turistas.
Especialistas apontam que a presença de tubarões na região está diretamente ligada a fatores ambientais e antrópicos, como a poluição, a pesca predatória e as obras de infraestrutura. O Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) já recomendou a ampliação das áreas de proibição e o reforço na sinalização, mas a implementação enfrenta desafios logísticos e políticos. O caso do menino de 11 anos, que estava em uma área permitida para banho, mas sinalizada como de risco, evidencia a complexidade do problema e a necessidade de ações mais efetivas.
Reações e medidas em debate
O incidente reacendeu o debate sobre a responsabilidade do poder público na prevenção de ataques. A prefeitura de Jaboatão dos Guararapes informou que está prestando assistência à família da vítima e que reforçará a sinalização nas praias. Já o governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, afirmou que irá reavaliar as políticas de monitoramento e segurança. Entidades ambientalistas, por sua vez, cobram uma abordagem mais integrada, que considere tanto a proteção dos banhistas quanto a preservação dos ecossistemas marinhos.
Enquanto isso, moradores e frequentadores das praias da região manifestam medo e indignação. “É uma situação que se repete há anos. As placas estão lá, mas as pessoas continuam entrando na água. Precisa de mais fiscalização e de uma solução definitiva”, disse um comerciante local, que preferiu não se identificar. O caso também levanta questionamentos sobre a eficácia das redes de proteção, que, segundo especialistas, não cobrem toda a extensão das praias e podem ser danificadas por tempestades ou embarcações.
O menino atacado segue internado, e a expectativa é de que novos boletins médicos sejam divulgados nas próximas horas. O Corpo de Bombeiros reforçou o patrulhamento nas praias da região e orienta os banhistas a respeitarem a sinalização e evitarem o banho em áreas de risco, mesmo que não haja proibição formal. O caso serve como um alerta para a necessidade de uma política pública mais robusta e coordenada, que possa conciliar o turismo, a segurança e a preservação ambiental no litoral pernambucano.
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