Ataque hacker invade sistema da Defesa Civil e dispara 10 alertas falsos de perigo extremo em sete estados

O secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, afirmou neste sábado (20) que ‘tudo indica’ que o disparo de falsos alertas extremos na madrugada tem origem em um ‘ataque hacker’. Segundo ele, 10 alertas falsos foram disparados, mas não é possível, no momento, estimar em quantos celulares soaram as notificações. Foram 9 alertas pelo sistema Cell Broadcast e 1 pelo sistema de mensagens SMS. A Anatel reforçou que o alerta não partiu de autoridades.

O Cell Broadcast é uma tecnologia de transmissão de mensagens que permite o envio de alertas de emergência e avisos de desastres simultaneamente para todos os celulares conectados a antenas de uma área específica, sem precisar de internet ou do número de telefone do usuário, garantindo alcance imediato em situações de risco. O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional convocou uma coletiva de imprensa para esclarecer providências tomadas após a plataforma de envios Defesa Civil Alerta sofrer uma invasão e disparar alertas para pelo menos sete unidades da federação na madrugada deste sábado.

As mensagens disparadas foram do tipo Alerta Extremo e continham a palavra ‘misantropia’ ou variações. Misantropia significa aversão ou rejeição à humanidade. Em razão da invasão, a plataforma de envios foi retirada do ar por volta da 1h30. ‘Desde o final de ontem até a madrugada, o sistema da Defesa Civil Alerta sofreu ataque, tudo indica um ataque de hacker’, afirmou Wolnei Wolff. ‘Prontamente, o pessoal de TI [Tecnologia da Informação] tirou nosso sistema do ar, mas as consequências estão aí. Muitos alertas foram dados, entre 9 e 10, a gente conseguiu rastrear, em muitos estados, capitais, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Brasília’, completou o secretário.

Wolnei Wolff afirmou que a Polícia Federal já foi acionada para investigar o caso. Pelas localidades em que houve registro de mensagens, é possível dizer, segundo o secretário, que milhões de celulares receberam os alertas. ‘Nós acionamos a PF agora pela manhã, vai ter uma investigação. Talvez o andar dessas investigações da PF, juntamente com a TI do Ministério da Integração, a gente consiga ter uma noção de quantos celulares receberam esses alertas […]. Com certeza, milhões de pessoas foram alertadas, porque esses alertas, via Cell Broadcast, têm capacidade de atingir milhares de pessoas. Como foi em muitos estados, milhões receberam com certeza’, declarou.

O episódio levanta questionamentos sobre a segurança cibernética de sistemas críticos de emergência no Brasil. A invasão ocorre em um momento em que o governo federal discute a ampliação do uso de tecnologias de alerta para desastres naturais, como enchentes e deslizamentos. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) também acompanha o caso, e a Polícia Federal deve investigar se houve ação coordenada ou de um único invasor. ‘A gente não sabe se uma pessoa só conseguiu dar 10 alertas. O primeiro alerta foi dado do Paraná, só que dentro do nosso sistema tem uma regra: quem está cadastrado no Paraná só consegue dar alerta no Paraná, jamais outros estados. É difícil responder se uma ou mais’, ponderou Wolnei Wolff.

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