Ativistas usam imagem de Jeffrey Epstein em protesto contra óculos de IA da Meta em Londres

Um grupo ativista realizou um protesto em Londres neste sábado (26) utilizando a imagem do falecido financista Jeffrey Epstein para criticar os novos óculos de inteligência artificial da Meta. A ação, que espalhou cartazes satíricos pela cidade, questiona a privacidade e o consentimento no uso de dispositivos capazes de registrar imagens de forma contínua, sem que as pessoas ao redor sejam informadas ou autorizem a captura.

Os cartazes, que simulam anúncios publicitários, mostram Epstein usando os óculos da Meta com a frase: “Se ele usasse, você saberia?” — uma referência ao histórico de abusos sexuais e exploração de menores pelo bilionário, que morreu em 2019 enquanto aguardava julgamento. A campanha busca alertar para os riscos de vigilância não consentida, associando a tecnologia a figuras que violaram a confiança pública.

Contexto do protesto

O protesto ocorre em meio ao lançamento global dos óculos Ray-Ban Meta Smart Glasses, que integram câmera, microfone e assistente de IA, permitindo gravação de vídeos e fotos com comandos de voz. Ativistas de direitos digitais, como o grupo responsável pela ação — identificado como Privacy Now —, argumentam que o dispositivo normaliza a vigilância em espaços públicos e privados, sem mecanismos claros de consentimento para as pessoas filmadas.

“A Meta está vendendo um produto que transforma qualquer usuário em um agente de vigilância, e a sociedade não está preparada para isso”, afirmou um porta-voz do grupo em comunicado. “Usar a imagem de Epstein é uma forma de lembrar que a falta de escrutínio e de limites pode levar a abusos de poder.”

Panorama político e regulatório

A ação em Londres reflete um debate global sobre regulação de dispositivos com IA embarcada. No Reino Unido, o Information Commissioner’s Office (ICO) já iniciou consultas públicas sobre diretrizes para óculos inteligentes, enquanto a União Europeia avança com o AI Act, que classifica sistemas de reconhecimento biométrico como de alto risco. Nos Estados Unidos, senadores como Ed Markey (D-MA) e Josh Hawley (R-MO) propuseram projetos de lei para exigir avisos sonoros em dispositivos de gravação contínua.

No Brasil, o debate ainda é incipiente, mas a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) já sinalizou que pode incluir óculos com IA em suas próximas diretrizes sobre vigilância. A Meta, por sua vez, defende que os óculos seguem as leis locais de privacidade e que os usuários são instruídos a respeitar a privacidade alheia — embora ativistas apontem que não há mecanismos técnicos para garantir isso.

O protesto também reacendeu discussões sobre o uso de imagens de figuras controversas em campanhas políticas. Enquanto alguns veem a tática como eficaz para chamar atenção, críticos argumentam que a associação com Epstein pode banalizar a gravidade de seus crimes. O grupo Privacy Now rebateu: “Não estamos banalizando nada. Estamos mostrando que a tecnologia, sem controle, pode ser usada para fins que ninguém aprovaria.”

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