O Instituto Nacional do Seguro Social afirmou não ter elementos suficientes para dimensionar as fraudes do Banco Master, mesmo com a existência de auditoria interna sobre contratos inválidos, de uma auditoria da Controladoria-Geral da União e de um acordo prévio para apuração dos danos e cobrança dos valores em benefício de aposentados e pensionistas. A declaração foi feita em resposta a questionamentos sobre o alcance das irregularidades nos empréstimos consignados, que podem ter afetado milhares de segurados.
A auditoria interna do INSS, concluída em 2025, já havia identificado contratos sem validação adequada da identidade dos tomadores, o que levanta suspeitas de fraudes sistemáticas. Paralelamente, a CGU realizou fiscalização própria e apontou falhas nos mecanismos de controle do banco, mas o órgão federal alega que os dados disponíveis são insuficientes para estimar o volume total de operações irregulares.
O acordo firmado entre o INSS e o Banco Master previa a reparação dos danos causados a aposentados e pensionistas, mas a falta de dimensionamento preciso das fraudes emperra a execução das medidas. Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a ausência de números concretos dificulta a responsabilização e a devolução dos valores descontados indevidamente.
O caso ganha contornos políticos em um momento de debate sobre a regulação do crédito consignado e a proteção dos beneficiários da Previdência. Parlamentares de diferentes partidos cobram transparência do INSS e do Banco Central, que supervisiona o sistema financeiro. A situação expõe fragilidades no modelo de concessão de crédito e levanta dúvidas sobre a capacidade do Estado de coibir práticas abusivas.
Enquanto isso, aposentados e pensionistas seguem sem previsão de ressarcimento, e o INSS admite que não há cronograma para concluir a apuração. A CGU, por sua vez, mantém a auditoria em andamento, mas ainda não divulgou relatório final. O Banco Master, procurado, não se manifestou até o fechamento desta edição.
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