Uma auxiliar de dentista de Piracicaba (SP) teve o carro seminovo apreendido pela Justiça oito meses após a compra, após descobrir que o veículo estava financiado para outra pessoa. Andrezza da Silva Santos pagou R$ 25 mil de entrada e ainda entregou outro carro como parte do negócio com uma loja, mas alega não ter sido informada sobre a pendência anterior. A decisão judicial foi motivada por indícios de irregularidades em um financiamento do mesmo veículo, feito em nome de terceiro, e o caso expõe a fragilidade dos sistemas de verificação e o aumento de estelionatos na região.
Em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, Andrezza contou que, antes da compra, foi feita uma vistoria cautelar que não apontou restrições, bloqueios ou dívidas ligadas ao veículo. No entanto, no último dia 11 de junho, o carro foi apreendido no local de trabalho dela, em meio a uma situação que ela descreveu como humilhante. “Estava lotado de gente, então assim, é surreal a humilhação que eu passei […] mostrei, a fala era essa: ‘eu não tenho o que fazer, eu vou levar o seu carro’. Eles chamaram a polícia, aí vieram dois policiais […] falaram ‘você precisa entregar o carro senão vai ter outras medidas'”, desabafou.
Investigação aponta cadeia de vítimas e falha no sistema
O advogado de Andrezza, Diego Goularte, afirma que a cliente e outras pessoas foram vítimas de um golpe. “Minha cliente foi vítima de um golpe e, nesse golpe, tem uma escada de vítimas. Ela adquiriu esse veículo do estacionamento. Quando adquiriu, o veículo estava limpo em todas as pesquisas. O estacionamento, quando adquiriu do proprietário anterior, o veículo também estava limpo. E esse proprietário anterior, quando identificou que foi registrado um grave no documento do veículo dele de forma errada, comunicou o Banco Itaú. O banco reconheceu o erro, comunicou o Detran e baixou o gravame. […] Só que ele deixa de comunicar à Justiça que aquele financiamento era produto de fraude”, explica. Após a apreensão, uma nova consulta apontou que o veículo tinha um financiamento ativo no Banco Itaú, em nome de uma pessoa que Andrezza diz não conhecer.
Banco Itaú reconhece erro e promete devolução
O Banco Itaú disse que identificou indícios de irregularidade no contrato feito com a outra pessoa e garantiu que irá devolver o veículo à Andrezza. A instituição financeira também lamentou o ocorrido e reforçou que revisa os processos internos para evitar situações semelhantes. O caso levanta questionamentos sobre a eficácia dos sistemas de verificação de gravames e a responsabilidade das instituições financeiras em casos de fraude.
Estelionatos em alta na região de Piracicaba
Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostram que a Justiça de Piracicaba já protocolou 41 processos por estelionato em 2026, número maior do que o registrado em todo o ano de 2025. Além disso, o levantamento também retrata que os processos por fraude cometida pela internet estão mais frequentes. Segundo o delegado André França, golpes e fraudes em financiamento de veículos, normalmente, são praticados por quadrilhas bem organizadas. “O que temos percebido é que são pessoas que se aproveitam de brechas no sistema para aplicar golpes em cadeia, deixando um rastro de vítimas”, alerta. O caso de Andrezza é mais um exemplo de como a falta de comunicação entre órgãos e instituições pode facilitar a ação de criminosos, expondo consumidores a situações de constrangimento e prejuízo financeiro.
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