Baixa cobertura vacinal contra gripe entre puérperas acende alerta em 10 municípios do Acre

Em meio ao aumento dos casos de Síndromes Respiratórias no Acre, dados do boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde (Sesacre) apontam que 10 das 22 cidades acreanas, incluindo Rio Branco, apresentaram cobertura vacinal de 0% entre puérperas — mulheres que deram à luz recentemente. O grupo é considerado prioritário para a imunização contra a gripe, mas os números, referentes às semanas epidemiológicas 1 e 23 de 2026, revelam a baixa cobertura da vacina Influenza Trivalente. O cenário preocupa especialistas, sobretudo pela ausência de registros na capital, que concentra os maiores índices de casos.

Além de Rio Branco, os municípios que registraram 0% de cobertura vacinal foram: Assis Brasil, Brasiléia, Epitaciolândia, Acrelândia, Bujari, Capixaba, Jordão, Santa Rosa do Purus e Mâncio Lima. A situação acende um alerta para a saúde pública no estado, que já enfrenta uma emergência decretada desde o dia 3 de junho devido ao aumento das internações por síndromes respiratórias agudas graves (SRAGs). Até o fim de maio, 37 mortes pela doença foram registradas, pressionando a rede hospitalar.

Subnotificação e desafios no registro

A coordenadora do Plano Nacional de Imunização (PNI) no Acre, Renata Quilles, ponderou ao g1 que os dados de vacinação de puérperas podem estar subnotificados. Segundo ela, muitas mulheres não informam que estão no período pós-parto quando procuram uma unidade de saúde. “Acredito que a gente vacinou muito mais puérperas. Quando a mãe leva o bebê para se vacinar, a gente sempre oferece a vacina para o acompanhante adulto também. Dificilmente perdemos uma oportunidade de vacinação. O problema acaba sendo o registro”, alegou.

Quilles também alertou para a baixa cobertura vacinal entre os demais grupos prioritários no Acre. Conforme a gestora, a meta do Ministério da Saúde é atingir 90% de vacinação entre crianças, idosos e gestantes, mas o estado acreano ainda registra cobertura em torno de 45%. “As coberturas vacinais no nosso estado são muito baixas. Estamos com quase metade da expectativa de vacinação. A puérpera e os povos indígenas também passaram a ser grupos importantes de rastreio porque têm maiores chances de desenvolver quadros graves”, ressaltou.

Panorama político e emergência sanitária

O decreto de emergência, publicado em 3 de junho, reflete a gravidade do cenário no Acre, que registrou mais de 1,3 mil notificações de síndromes respiratórias em cinco meses. A medida, válida por 90 dias, busca conter a pressão sobre o sistema de saúde e ampliar as ações de imunização. No entanto, a baixa adesão à vacina entre grupos prioritários, como puérperas, expõe fragilidades na estratégia de comunicação e acesso, especialmente em municípios remotos como Jordão e Santa Rosa do Purus. A situação reforça a necessidade de campanhas mais efetivas e de melhorias no registro de vacinação para garantir que os dados reflitam a realidade da cobertura.

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