BR-319: 50 anos de isolamento amazônico sem estrada completa

BR-319 completa 50 anos sem conclusão, mantendo o Amazonas isolado por rodovia e gerando altos custos logísticos para o estado.

BR-319: 50 anos de isolamento amazônico sem estrada completa

A BR-319, crucial ligação terrestre entre Manaus e Porto Velho, completa 50 anos sem ter sua obra totalmente finalizada, mantendo o Amazonas isolado economicamente e logisticamente do restante do Brasil.

Na prática, a rodovia mais importante para o estado amazônico, que representa a única via terrestre de conexão com outros estados, opera de forma precária, com trechos intransitáveis que dificultam o transporte de mercadorias e passageiros.

A falta de infraestrutura adequada causa atoleiros constantes e atrasos significativos nas viagens, especialmente durante o período chuvoso, paralizando o tráfego e gerando prejuízos para empresas e usuários.

A precariedade da BR-319 impacta diretamente o custo de vida no Amazonas, elevando o valor do frete e tornando o estado um dos mais caros do mundo em logística, superando inclusive custos de transporte internacional.

Empresas do Distrito Industrial de Manaus, como a do setor de relógios, são forçadas a utilizar o transporte aéreo, mais caro, para garantir a agilidade das entregas, o que impacta a competitividade e o preço final dos produtos.

Diante da limitação rodoviária, o transporte fluvial se mantém como principal modal, respondendo por mais de 90% das mercadorias que chegam ao estado, mas enfrenta desafios durante a seca, aumentando custos e impactando o consumidor.

O cenário logístico do estado é de desafios diários, com aumento no tempo de entrega, custos elevados de manutenção de veículos e avarias em cargas, segundo representantes do setor de transporte.

A BR-319 é vista como uma alternativa estratégica, principalmente em crises climáticas, e parte de um plano de integração de modais rodoviário, fluvial e aéreo para otimizar o escoamento de produtos.

O governo federal busca conciliar a recuperação da rodovia com a proteção ambiental, por meio de avaliações estratégicas e processos de governança para evitar desmatamento e grilagem.

Mesmo após cinco décadas de discussões e obras intermitentes, a BR-319 permanece um símbolo do impasse entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental no Brasil.

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