A Seleção Brasileira não consegue reverter um placar adverso em partidas eliminatórias de Copa do Mundo desde o pentacampeonato conquistado em 2002. A última virada em confronto de mata-mata ocorreu nas quartas de final do Mundial da Coreia do Sul e do Japão, contra a Inglaterra. Na ocasião, o Brasil perdia por 1 a 0, gol de Michael Owen, mas buscou a virada com gols de Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho, vencendo por 2 a 1. O dado, revelado pelo portal Frances News, acende um alerta sobre a capacidade de reação da equipe em momentos de pressão máxima, um fator que tem se repetido em edições recentes do torneio.
Desde então, o Brasil enfrentou 12 jogos eliminatórios em Copas do Mundo (2006, 2010, 2014, 2018 e 2022) e, em nenhum deles, conseguiu virar o placar quando saiu atrás no marcador. Em 2006, nas quartas de final contra a França, perdeu por 1 a 0. Em 2010, nas quartas contra a Holanda, saiu na frente, mas sofreu a virada e foi eliminado por 2 a 1. Em 2014, o 7 a 1 para a Alemanha na semifinal foi uma derrota sem reação. Em 2018, nas quartas contra a Bélgica, perdeu por 2 a 1. Em 2022, nas quartas contra a Croácia, saiu na frente, mas sofreu o empate e foi eliminado nos pênaltis. Em nenhum desses jogos o Brasil conseguiu reverter uma desvantagem parcial.
O panorama político e esportivo do futebol brasileiro reflete uma crise de identidade tática e de gestão. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) tem enfrentado pressões internas e externas por melhores resultados, enquanto a torcida cobra um futebol mais competitivo. A falta de viradas em mata-mata é um sintoma de um time que, apesar do talento individual, não consegue se impor coletivamente em situações adversas. Especialistas apontam que a ausência de um planejamento de longo prazo e a rotatividade de técnicos contribuem para a repetição desse padrão.
Para efeito de comparação, outras seleções como Argentina, França e Alemanha conseguiram viradas em momentos decisivos nos últimos 24 anos. A Argentina, por exemplo, virou jogos contra a França na final de 2022 e contra a Holanda nas quartas de 2022. A França virou contra a Argentina nas oitavas de 2018 e contra a Croácia na final de 2018. A Alemanha virou contra a Argentina na final de 2014 e contra a Itália nas semifinais de 2006. O dado do Brasil, portanto, não é apenas uma estatística, mas um indicador de um problema estrutural que precisa ser enfrentado com urgência.
Impacto nas Próximas Competições
O dado ganha ainda mais relevância às vésperas da Copa do Mundo de 2026, que será sediada por Estados Unidos, Canadá e México. A Seleção Brasileira, que busca o hexacampeonato, terá que superar essa barreira psicológica e tática para avançar em fases eliminatórias. A Pesquisa Quaest recente, que revelou mudanças no cenário político nacional, também ecoa no esporte: a pressão por resultados imediatos é constante, e a falta de viradas em mata-mata é um fardo que o time carrega desde 2002.
A última reação da Seleção em confronto eliminatório, contra a Inglaterra em 2002, foi um marco de superação. Naquele jogo, o Brasil mostrou resiliência e qualidade técnica para virar o placar. Desde então, a equipe não conseguiu repetir o feito, o que levanta questionamentos sobre a preparação mental e tática dos jogadores. O técnico atual, Dorival Júnior, terá o desafio de quebrar esse jejum e devolver à Seleção a capacidade de reagir em momentos decisivos.
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