Brasil pode se tornar 2º país com maiores tarifas dos EUA se tarifaço de Trump for confirmado

O governo dos Estados Unidos deve anunciar até quarta-feira (15) se aplicará novas tarifas contra o Brasil, como parte de uma investigação sobre práticas comerciais consideradas injustas pela Casa Branca — incluindo ataques ao Pix. Um documento do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) sugere tarifas retaliatórias de 25% sobre produtos brasileiros, o que, se confirmado, faria o Brasil saltar da 13ª para a 2ª posição no ranking de países com maiores tarifas impostas pelos EUA, atrás apenas da China. Os dados são da iniciativa Global Trade Alert (GTA), compilados pelo St. Gallen Endowment, centro de estudos independente baseado na Suíça.

Atualmente, o Brasil é o 13º país com maiores tarifas impostas pelos EUA, com tarifa média efetiva de 11,73%, ficando atrás de China, Turquia, Indonésia, Vietnã, Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Alemanha, Índia, Áustria, Suécia e Itália. Caso o tarifaço de 25% seja confirmado pelo governo Trump, o Brasil passaria a ocupar a segunda posição, com um aumento médio previsto de 18% nas tarifas efetivas — o segundo maior aumento entre todos os países no segundo mandato de Trump, segundo Johannes Fritz, diretor do St. Gallen Endowment.

Panorama político e econômico

A ofensiva comercial americana ocorre em meio a tensões crescentes entre Brasil e EUA. O Itamaraty identificou 43 empresas e associações dos EUA que rejeitam a sobretaxa a produtos brasileiros, enquanto o presidente Lula rebateu os EUA apontando um superávit comercial norte-americano de US$ 415 bilhões. A Casa Branca, por sua vez, acusou o Brasil de criar barreiras com o Pix, o Mercosul e taxas de importação. A decisão final sobre as tarifas ainda não foi tomada, em meio a negociações entre os dois países.

Os dados do GTA consideram apenas as tarifas efetivas — as que realmente são cobradas sobre os produtos — e não as tarifas nominais, que são as explícitas na legislação. A China é o país que mais viu suas tarifas médias de importação subir no segundo mandato de Trump, com aumento de 27% comparado ao governo Biden. O Brasil, que é apenas o 17º maior parceiro comercial dos EUA, tornou-se alvo central da política tarifária americana, o que levanta questionamentos sobre os reais motivos da ofensiva.

Para mais informações, leia: Pressão americana contra tarifaço: Itamaraty identifica 43 empresas e associações dos EUA que rejeitam sobretaxa a produtos brasileiros, Em meio a tensão tarifária, Lula rebate EUA e aponta superávit comercial norte-americano de US$ 415 bilhões e Tensão Comercial: Casa Branca de Trump Acusa Brasil de Criar Barreiras com Pix, Mercosul e Taxas de Importação.

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