O Brasil registrou mais de 34 mil solicitações de refúgio no primeiro semestre deste ano, número que já supera o total de 2024. Os pedidos, concentrados em Roraima, têm como principal origem Cuba, que ultrapassou a Venezuela pela primeira vez desde o agravamento da crise humanitária no país caribenho.
Os dados, divulgados nesta semana, mostram que a pressão migratória segue intensa na fronteira norte. Roraima, porta de entrada histórica para venezuelanos, agora também recebe levas expressivas de cubanos em busca de proteção internacional — um movimento que especialistas atribuem à piora das condições econômicas e políticas na ilha.
Enquanto o governo federal discute políticas de acolhimento, estados como Roraima cobram mais recursos e estrutura para lidar com a demanda. A situação levanta debate sobre a capacidade do país de absorver novos fluxos sem desassistir a população local.
O cenário deve pautar a agenda de segurança e direitos humanos nos próximos meses, especialmente com a aproximação das eleições de 2026. Para analistas, o tema migratório tende a ganhar peso no discurso de pré-candidatos, como João Henrique Caldas (JHC), que já sinalizou atenção à pauta social em Alagoas — estado que, embora distante da fronteira, pode sentir efeitos indiretos do fluxo.
O próximo passo esperado é a atualização dos dados pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), que deve detalhar perfis e destinos dos solicitantes. A expectativa é que o governo anuncie novas medidas de interiorização para aliviar a pressão sobre Roraima.
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