Produtores de café do Sul de Minas têm investido em sistemas de monitoramento para reforçar a segurança nas propriedades rurais diante da preocupação com furtos e roubos de café e equipamentos. Mesmo com a redução dos crimes registrada nos últimos meses, cafeicultores afirmam que a sensação de insegurança permanece e tem motivado investimentos em tecnologia e ações coletivas de vigilância. Em Três Pontas (MG), cinco produtores se uniram para instalar um sistema de monitoramento nas estradas que dão acesso às fazendas. O investimento ultrapassou R$ 140 mil e inclui três câmeras: duas voltadas para registrar a movimentação de veículos e pessoas e uma exclusiva para leitura de placas. O sistema emite um alerta sempre que um veículo não cadastrado passa pelo local, permitindo uma resposta mais rápida em caso de movimentações suspeitas.
A produtora Adalgisa Miranda decidiu adquirir o equipamento após ser vítima de criminosos no ano passado. Segundo ela, os ladrões colheram o café diretamente dos pés durante a noite, sem que ninguém percebesse a ação. Posteriormente, a propriedade voltou a ser alvo de criminosos, que invadiram a área onde fica o secador estático e furtaram parte do café armazenado. “Foi uma surpresa. Não tinha nenhum grão de café no pé, eles apanharam durante a noite. E também tivemos um sinistro aqui dentro da propriedade (…) eles foram no secador estático, porque lá o café fica exposto, e retiraram o café por cima”, relatou a produtora.
Produção recorde aumenta preocupação
A preocupação dos produtores cresce em um momento de safra expressiva. Minas Gerais deve colher mais de 33 milhões de sacas de café, volume cerca de 23% superior ao registrado na safra anterior. O aumento da produção também eleva o valor econômico armazenado nas propriedades, tornando o setor mais atrativo para a ação de criminosos. Apesar disso, os indicadores de segurança apresentaram melhora. Segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), entre maio e setembro de 2025 foram registrados 1.066 furtos em imóveis rurais no Sul de Minas, número inferior ao do mesmo período de 2024. Ainda assim, a região concentrou 26% de todos os furtos em áreas rurais registrados em Minas Gerais. Os casos de roubo também diminuíram. A queda foi de 57% no Sul de Minas e de 38% em todo o estado.
O cenário reflete um dilema vivido por cafeicultores em todo o estado: enquanto os números oficiais apontam redução de crimes, a percepção de risco permanece elevada, especialmente em áreas de produção intensiva. A iniciativa em Três Pontas é um exemplo de como a cooperação entre produtores e o uso de tecnologia podem ajudar a mitigar perdas, mas também evidencia a necessidade de políticas públicas mais robustas para a segurança no campo. A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) tem defendido a ampliação do policiamento rural e o fortalecimento de redes de vigilância comunitária, como forma de proteger não apenas o café, mas toda a cadeia produtiva do agronegócio mineiro.
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