O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, concedeu entrevista à Globo nesta terça-feira (25), direto dos estúdios da emissora no Rio de Janeiro. Conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, a sabatina abordou temas centrais da campanha eleitoral, com destaque para a defesa de anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro de 2023 e um apelo ao fim da polarização política no país.
Durante a entrevista, Caiado afirmou que, se eleito, encaminhará ao Congresso Nacional um projeto de anistia geral e ampla para os condenados pela tentativa de golpe de Estado. Ele citou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está entre os presos e condenados nesse caso, e comparou a situação com a do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que teve condenações anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021. “Posso garantir neste momento que encaminharei, sim, ao Congresso Nacional um projeto para que haja uma anistia geral, ampla. Da mesma maneira, de uma forma especial, o Supremo concedeu uma anistia ao ex-presidente Lula”, declarou.
O candidato do PSD também usou seu histórico político para reforçar a necessidade de pacificação. “O que eu quero dizer neste momento é que nós precisamos acabar com essa polarização, nós temos que pacificar o país. Ninguém aguenta mais essa situação”, afirmou Caiado, que se descreveu como “democrata na essência”. A fala ocorre em um contexto de acirramento do debate público, com pesquisas recentes indicando cenários variados em diferentes estados.
Contexto das anistias e o caso Lula
A referência de Caiado ao ex-presidente Lula remete a um episódio histórico: Lula foi preso em 2018 após condenações por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá. Ele permaneceu detido por 580 dias, sendo solto em novembro de 2019. Em 2021, o STF anulou as condenações da Lava Jato, restabelecendo seus direitos políticos e permitindo que ele voltasse a disputar a Presidência, vencendo as eleições de 2022. A comparação feita por Caiado busca legitimar sua proposta de anistia, mas também evidencia as diferentes interpretações jurídicas e políticas sobre os dois casos.
Série de entrevistas com presidenciáveis
A entrevista com Caiado é a segunda de uma série promovida pela Globo com os seis candidatos mais bem posicionados na pesquisa Quaest divulgada em 14 de agosto. A ordem foi definida por sorteio, com a presença de representantes dos partidos. Na segunda-feira (24), o entrevistado foi Romeu Zema. As próximas sabatinas estão marcadas para: quarta-feira (26), com Renan Santos (Missão); quinta-feira (27), com Luiz Inácio Lula da Silva (PT); sexta-feira (28), com Flávio Bolsonaro (PL); e sábado (29), com Augusto Cury (Avante).
Esta é a primeira vez que as entrevistas da Globo com candidatos ao Palácio do Planalto são exibidas após o Jornal Nacional, e não dentro do telejornal. Após a transmissão, o conteúdo fica disponível na íntegra no g1 e no Globoplay. O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro.
O cenário político segue dinâmico, com pesquisas recentes mostrando lideranças variadas em diferentes estados. Em Alagoas, por exemplo, levantamento da Quaest apontou Lula à frente, enquanto no Rio Grande do Sul Flávio Bolsonaro lidera. A agenda dos presidenciáveis também tem sido intensa, com eventos públicos e articulações regionais. A sabatina de Caiado ocorre em meio a críticas e contradições, como as expostas na entrevista de Zema, que negou importação de combustíveis, mas foi desmentido por operação da Polícia Federal. A série de entrevistas da Globo promete aprofundar o debate sobre propostas e posicionamentos dos candidatos, em um momento decisivo da corrida eleitoral.
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