O candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado, defendeu nesta segunda-feira (31) um ajuste fiscal focado na redução de supersalários, emendas impositivas e subsídios, mas afirmou que ainda não tem condições de definir quais setores seriam afetados pelos cortes, alegando que os dados públicos são ‘manipulados’. A declaração foi dada durante entrevista à TV Jovem Pan, no interior de São Paulo.
Caiado, que é pré-candidato ao governo de Alagoas em 2026, segundo informações recentes, afirmou que pretende promover no governo federal, caso seja eleito, cortes como os que fez em Goiás quando era governador. No estado, ele cortou 25% do duodécimo, valor repassado pelo governo estadual aos Poderes Legislativo e Judiciário. O candidato disse ainda que vai conter as despesas da União, se eleito.
“Eu vou respeitar e reajustar a inflação [no salário mínimo], mas, em relação ao crescimento do PIB, eu só aceitarei despesas até 50%. E eu disse quais são as fontes que eu priorizaria para poder abaixar tudo isso: salários estratosféricos, só de emendas impositivas são mais de R$ 60 bi que temos hoje e programas que recebem incentivos fiscais, que você tem que saber se eles estão respondendo aos incentivos”, declarou.
Falta de detalhamento e críticas à transparência
Questionado sobre quais áreas seriam alvo de cortes nos subsídios, Caiado disse que ainda não é possível defini-las e que nenhum outro candidato teria condições de fazer isso neste momento. “Você tem aí uma situação obscura do governo [federal]. Você não tem noção do governo. Exigir de qualquer candidato neste momento que ele realmente já saiba o que ele vai fazer é exigir um achismo”, afirmou.
O candidato argumentou que os dados abertos disponíveis, que poderiam auxiliar no desenho da política de corte de gastos, são manipulados e dificultam uma previsão das contas públicas. “Você se lembra quando nós votamos o impeachment da Dilma, e que eles diziam que o furo era aquele quando o Temer assumiu. E a verdade, o que que era? Então, você sabe que isso aí está tudo manipulado. Você queria apresentar um superávit de 0,1% e você sabe que nós já estamos com déficit”, disse.
Auditoria e negociação com os Três Poderes
Se eleito, o ex-governador de Goiás prometeu realizar uma auditoria para identificar as áreas que sofrerão os cortes. Ele também garantiu que saberá negociar com os Três Poderes com base em experiência e “autoridade moral”. “Se você gerou emprego, usou o incentivo de forma correta, gerou emprego e gerou arrecadação para o Estado, ótimo. Agora, se você usou esse incentivo para comprar apartamento em Miami, comprar um jatinho, você está usando o dinheiro de forma indevida do Estado. É auditoria que faz com que você chegue a isso, e não achismo”, disse.
O candidato também foi questionado sobre eventuais cortes nos incentivos ao agronegócio, especialmente no seguro rural, mas não detalhou medidas específicas para o setor.
O cenário político nacional segue marcado por debates sobre responsabilidade fiscal e transparência. Em sabatina recente, Caiado foi desmentido por dados oficiais ao citar informações incorretas sobre o PIB e a Previdência da Alemanha, como mostrou o portal República do Povo. Em outra ocasião, ele prometeu o fim da aprovação automática e ajuste fiscal sem detalhar cortes, o que reforça a necessidade de propostas mais concretas para o eleitorado.
Fonte: ver noticia original

