Uma calculadora interativa, baseada em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) relativos a 2025, permite que qualquer brasileiro descubra sua posição exata na distribuição de renda do país, respondendo à pergunta: você é pobre, rico ou parte da classe média? A ferramenta, disponibilizada pelo portal Folha de S.Paulo, utiliza informações oficiais para classificar os cidadãos conforme sua renda mensal, oferecendo um panorama detalhado da desigualdade econômica nacional.
Os dados do IBGE revelam que a inflação dos mais pobres é quase o quádruplo da registrada para os mais ricos em abril, conforme reportagem anterior da Folha. Essa disparidade reflete o impacto desproporcional dos preços sobre as camadas de menor renda, que destinam maior parcela de seus ganhos a itens básicos como alimentação e transporte. A calculadora, portanto, não apenas informa a posição do usuário na pirâmide social, mas também contextualiza as dificuldades enfrentadas por cada grupo.
Para utilizar a ferramenta, o cidadão insere sua renda mensal e recebe imediatamente a classificação: se está entre os 10% mais pobres, na faixa da classe média (que abrange os 40% intermediários) ou entre os 10% mais ricos. A iniciativa ganha relevância em um momento em que o debate sobre distribuição de renda e políticas públicas de combate à pobreza domina a agenda política nacional, com propostas de ampliação de programas sociais e reformas tributárias em discussão no Congresso.
O levantamento do IBGE também aponta que, apesar de avanços recentes na redução da pobreza extrema, a concentração de renda no Brasil permanece entre as mais altas do mundo. Enquanto os 10% mais ricos detêm cerca de 40% da renda total, os 40% mais pobres ficam com menos de 15%. A calculadora, ao tornar esses dados acessíveis ao público, busca estimular a reflexão sobre as desigualdades estruturais e o papel de cada indivíduo nesse cenário.
Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a ferramenta é um importante instrumento de transparência, mas alertam que a classificação pode variar conforme a região do país, devido às diferenças no custo de vida. Enquanto em São Paulo ou Brasília uma renda de R$ 5 mil pode ser considerada de classe média, em cidades do Nordeste o mesmo valor pode colocar o cidadão entre os mais ricos. A calculadora, no entanto, utiliza médias nacionais, o que pode gerar distorções locais.
A iniciativa da Folha, em parceria com o IBGE, reforça a importância do acesso a dados oficiais para o debate público. Em um ano eleitoral, a ferramenta pode influenciar a percepção dos eleitores sobre as propostas dos candidatos, especialmente aquelas voltadas para a redução da desigualdade e a melhoria da distribuição de renda. A calculadora está disponível no site da Folha e pode ser acessada gratuitamente por qualquer cidadão.
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